Hipertireoidismo: uma disfunção que mexe com os sentimentos

Você sabia que o trabalho excessivo da tireoide pode causar sintomas parecidos com os da ansiedade?

Em tempos de crise, como em uma pandemia, o estresse e a ansiedade estão presentes em diversos momentos. O coração acelera, a incerteza toma conta, o cansaço, a insônia e uma sensação de mal-estar lhe acompanham durante o dia e a noite.

Porém, períodos como estes exigem muito equilíbrio, paciência e atenção com a sua saúde, pois nem tudo que parece é. Isso mesmo! Muitas vezes, a origem destes sintomas pode indicar outro problema de saúde, como o caso do hipertireoidismo.

Calma, não é motivo para mais pânico, já vamos explicar tudinho. O importante é prestar atenção no seu organismo e buscar atendimento médico quando os sintomas persistirem.

Hipertireoidismo: Quando menos é mais  

O hipertireoidismo acontece quando a glândula tireoide está hiperativa e produz hormônios em excesso. Esta alteração de hormônios pode mexer, inclusive, com o nosso estado emocional.

Você com certeza já ouviu falar das pessoas que são “hiperativas”, não? Elas são conhecidas por serem agitadas, nervosas, não param quietas, cheias de vitalidade e com pouca concentração. Pois então, a tireoide hiperativa, ou seja, que produz hormônios em excesso, trabalha além do recomendado e aumenta os níveis hormonais. Com o organismo acelerado fica difícil dormir, o coração acelera, palpitações surgem e assim por diante. Está vendo por que é tão fácil confundir os sintomas de hipertireoidismo com sintomas de estresse e ansiedade?

É importante destacar também que a incidência de hipertireoidismo é muito maior em mulheres, na faixa etária dos 20 aos 40 anos, do que nos homens. Mas como funciona o hipertireoidismo no nosso corpo? Veja mais a seguir.

O que é o hipertireoidismo?

 Como já falamos anteriormente, o hipertireoidismo é um problema na tireoide. Vamos entender como ocorre esse processo do início ao fim.

Os hormônios da tireoide têm o papel de auxiliar a regulação de órgãos como coração, cérebro, fígado e rins. Como em um trabalho em equipe, a tireoide conta com a ajuda da hipófise, outra glândula (pequena) localizada na base do cérebro.

A hipófise produz o TSH, um hormônio que estimula a tireoide e a induz produzir T3 e T4. A produção excessiva dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina) pela tireoide é chamado de hipertireoidismo. Já no hipotireoidismo acontece o contrário, a produção dos hormônios incide de forma lenta e em pouca quantidade.

Mas qual o papel do T3 e do T4? Eles percorrem todo o organismo através da corrente sanguínea e são responsáveis por regular o metabolismo, ou seja, eles ajudam a controlar como o seu corpo utiliza e armazena energia.

De onde vem o hipertireoidismo? 

Existem algumas causas mais recorrentes. A chamada doença de Graves é uma das causas mais comuns responsáveis por desencadear o hipertireoidismo.

Resumidamente, podemos dizer que ela ocorre quando a tireoide é atacada pelo próprio sistema imunológico, que a induz a produzir hormônios em grande quantidade. A doença de Graves é considerada uma doença crônica e está ligada a fatores hereditários.

Quais são os principais sintomas do hipertireoidismo?

Para não confundir os sintomas de ansiedade com um possível problema de tireoide, é preciso conhecer os principais sintomas e sinais do hipertireoidismo. É comum que pessoas que sofram de hipertireoidismo tenham perda de peso, já que com a aceleração do organismo, a própria digestão dos alimentos e o metabolismo ficam muito mais rápidos. Em consequência disso, pode acontecer sintomas como polievacuações.

Outro forte indício é o aumento da temperatura corporal, seguido de suor. A lógica é a mesma e tem relação com a aceleração do organismo, que está trabalhando mais rápido do que o habitual. Possíveis tremores e câimbras também podem estar associados.

A lógica é inversa quando falamos do hipotireoidismo. No hipotireoidismo o corpo trabalha muuuuito devagar. Aí o processo contrário do hipertireoidismo acontece: inchaço, constipação e dificuldade para emagrecer. Além disso, o corpo demora mais para fazer a digestão. Com o metabolismo mais lento, a perda de peso é mais difícil, além de que as alterações hormonais influenciam para a retenção de líquido.

Mas quando falamos do hipertireoidismo, aquele que acelera tudo, temos uma grande contradição: ao mesmo tempo que seu corpo trabalha muito e está cheio de energia para gastar, ele acaba se esgotando por tamanha aceleração e você acaba se sentindo extremamente cansado.

O ideal mesmo é controlar para que a tireoide atue de forma equilibrada no nosso corpo. Nem muito e nem pouco, apenas na medida certa.

De forma resumida, listamos alguns dos principais sintomas do hipertireoidismo. Confira quais são:

– Batimentos cardíacos apressados

– Sensação de calor e transpiração

– Perda de peso

– Mãos trêmulas e sudorese

– Fadiga

– Fraqueza

– Polievacuações ou intestino solto

– Sensação de ansiedade e irritação

– Por causa da doença de Graves problemas nos olhos são frequentes, como irritação ou desconforto.

Algumas questões extras sobre o hipertireoidismo merecem atenção. É preciso destacar que ele pode prejudicar a gravidez, causar irregularidade menstrual e até mesmo a infertilidade feminina. Além disso, a glândula tireoide pode aumentar de tamanho, por isso, fique atento a qualquer modificação.

Ansiedade e depressão ou hiper e hipo?

Como vimos, o hipertireoidismo está relacionado aos sintomas de ansiedade, por acelerar o organismo com a produção descontrolada de hormônios T3 e T4. Já o hipotireoidismo pode ser relacionado aos sintomas de depressão. Os hormônios da tireoide atuam diretamente em áreas do cérebro ligadas ao humor, com a baixa produção destes hormônios consequentemente esta área é prejudicada.

Outros motivos para o hipotireoidismo se relacionar à depressão é porque o corpo fica sem energia, o coração bate mais lento e você acaba ficando mais apático, menos ativo e até a libido cai.

Independentemente do caso (ansiedade ou depressão, hipotireoidismo ou hipertireoidismo), o diagnóstico correto somente um médico poderá oferecer. E em relação à tireoide, o médico endocrinologista é o profissional mais adequado, já que solicitará exames específicos para identificar qualquer alteração, além de indicar a dosagem hormonal precisa.

 

Mais próximas do que parecem: Entenda a relação entre diabetes e insuficiência cardíaca

Talvez você não saiba, mas diabetes pode levar à problemas cardiopatas, como a insuficiência cardíaca. Saiba como isso acontece e quais os principais sintomas que acendem o alerta do coração.

Uma comorbidade alta entre os brasileiros, o diabetes está presente em vários lares do nosso país. Quem não conhece um vizinho, amigo ou familiar que sofre deste problema de saúde? A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) divulgou um dado alarmante: cerca de 13 milhões de brasileiros (6,9% da população) apresentam o diagnóstico. E, dentro desta estatística, outra informação chama a atenção. Mais de 90% dos casos correspondem ao diabetes tipo 2, que é aquele relacionado aos maus hábitos de vida, como alimentação inadequada e falta de exercício físico.

Mais perigosa do que parece, o diabetes causa diversos problemas de saúde e, entre eles, um órgão específico merece a nossa atenção: o coração. A falta de insulina, provocada por complicações do diabetes, faz com que as artérias fiquem comprometidas, dificultando a passagem do sangue e, por consequência, causando a insuficiência cardíaca.

Mas, antes de falarmos sobre os problemas cardíacos em decorrência do diabetes, vamos entender melhor sobre a origem da doença.

Diabetes: Que problema é esse?

De forma simples, podemos dizer que diabetes é uma doença relacionada à problemas de produção e absorção de insulina no organismo. Como consequência, a disfunção da insulina no corpo humano gera um desequilíbrio nos níveis de açúcar no sangue.

Mas para que serve a insulina? A insulina é um hormônio responsável por regular a glicose no sangue. Através dela é que garantimos energia para o nosso corpo. A glicose é um dos nossos combustíveis essenciais.

É preciso saber ainda que existem dois tipos de diabetes. Provavelmente você já ouviu falar sobre eles:

O tipo 1, menos comum, é aquele diagnosticado geralmente na infância e adolescência e está relacionado à um defeito imunológico de origem genética, que afeta a produção de insulina pelo pâncreas.

O tipo 2, apesar de em alguns casos ter origem genética, na grande maioria está fortemente relacionado aos hábitos de vida. Ou seja, o diabetes tipo 2 pode ser desenvolvido ao longo dos anos e é reflexo das escolhas que fazemos diariamente. A má alimentação, rica em gordura e açúcares, e o sedentarismo, que podem acarretar excesso de peso, são os principais responsáveis por este diagnóstico.

Diabetes e insuficiência cardíaca: A dor do coração

O diabetes afeta as paredes das artérias e proporciona o aparecimento de placas de gordura, aumento do colesterol ruim, entre outras substâncias nocivas. Já não basta sofrer de amor, o coração ainda precisa aguentar mais essa.

Brincadeiras à parte, o assunto é sério. O diabetes é uma das principais causas de insuficiência cardíaca, juntamente com hipertensão e infarto. Além disso, um estudo divulgado pela Universidade de Chester, na Inglaterra, descobriu que cerca de 80% dos pacientes com diabetes tipo 2 acabam falecendo desta complicação.

Como isso acontece? A patologia resulta num descontrole nos níveis de açúcar no sangue que, com a incapacidade de produzir e usar insulina, gera um estado de inflamação. É neste estado de inflamação que surgem as placas de gordura, o colesterol ruim e as outras substâncias que dificultam o fluxo sanguíneo. Além disso, a insuficiência de insulina dificulta a dilatação das artérias e ocasiona o aumento da pressão nos vasos sanguíneos.

É importante destacar que o diabetes não é uma doença cardíaca, entretanto, quando não controlada a doença pode levar às complicações citadas anteriormente.

Para se ter uma ideia, os diabéticos possuem oito vezes mais chances de sofrerem de insuficiência cardíaca do que o restante da população. Além disso, outro dado relevante é que mais da metade dos pacientes diagnosticados com diabetes tipo 2 já foram diagnosticados com complicações no coração. Ou seja, estes pacientes diabéticos já estão enfrentando os danos cardíacos causados pela doença.

Insuficiência Cardíaca: O que é?

Quando falamos em insuficiência cardíaca precisamos compreender que ela é uma doença relacionada à um dano no coração, geralmente em consequência de outra doença (como é o caso do diabetes, por exemplo).

A insuficiência está relacionada à falta de capacidade de bombear o sangue de forma satisfatória para suprir as necessidades de oxigênio e nutrientes do nosso corpo humano.

Neste caso, o cuidado precisa ser redobrado. Uma pesquisa americana revelou que nos Estados Unidos a insuficiência cardíaca é a principal causa de internação de pessoas com idade acima de 65 anos. Outra pesquisa revelou a gravidade das complicações cardíacas, sendo que ela pode levar à morte, tanto quanto o número de pessoas que morrem em decorrência de um câncer em estágio avançado, por exemplo.

Abram alas às boas notícias

É possível, sim, ter uma vida longa e saudável, mesmo com uma doença cardíaca. Tratamentos envolvendo tecnologias de ponta e inovação oferecem aos pacientes a oportunidade de viverem por mais tempo e ainda com mais qualidade, sem passar por inúmeras internações e complicações. Mas, isso tudo depende do cuidado e dedicação de cada paciente. O primeiro passo é ficar atento ao seu corpo. Ao perceber qualquer alteração ou desconforto é imprescindível que busque um médico imediatamente.

Se você não conhece ou não sabe identificar quais os principais sintomas da insuficiência cardíaca, não se preocupe. Preparamos uma lista para lhe ajudar a prestar a atenção em alguns pontos:

  • Dificuldade para respirar
  • Indisposição, cansaço
  • Insônia provocada pela dificuldade de respirar
  • Aumento de peso e inchaço
  • Tontura, náusea e falta de apetite

Não esqueça: esta lista apresenta apenas alguns indicativos. Nada substitui a avaliação médica de um especialista. O acompanhamento médico é fundamental para definir o tratamento e avaliar todos os cuidados necessários.

Além disso, como falamos anteriormente, a prática de exercícios físicos aliadas à uma alimentação saudável são essenciais para manter a saúde do seu coração.

Tratamento

 Infelizmente não existe cura para o diabetes, ele é uma doença crônica. Mas como vimos, você pode conviver com ele fazendo o tratamento correto, através de um acompanhamento adequado.

Entre os tratamentos estão a escolha de uma vida mais saudável e a administração de medicamentos que controlam o índice de açúcar no sangue.

Tireoide o escudo do corpo humano

Seja em formato de escudo ou de borboleta, a verdade é que a Tireoide é uma glândula importante no organismo humano. Mas diante do COVID-19, qual a função da tireoide? Descubra nesta matéria especial que preparamos para você.

Ajuda diretamente no crescimento e desenvolvimento infantil e adolescente. Atua nos ciclos menstruais e na fertilidade. Além disso, influencia no peso, na memória, na concentração, no humor e em tantas outras emoções. Além destes superpoderes, seu formato lembra um escudo. Poderíamos chamá-la de super-herói, mas a conhecemos como tireoide, uma glândula muito importante para o organismo humano.

Prazer, eu sou a Tireoide, mas pode me chamar de Tiroide

Apesar da glândula ter sido desenhada pela primeira vez pelo artista e inventor italiano, Leonardo da Vinci, já no ano de 1500, o termo como conhecemos hoje, “tireoide”, só foi criado em 1656, pelo britânico Thomas Wharton. A palavra tem origem grega thyreós (escudo) + oidés (forma de), inspirada em seu formato semelhante à de um escudo. Nesta época, acreditava-se que sua função era meramente estética, para modelar o pescoço, pois a glândula encontra-se logo abaixo do Pomo de Adão, em frente à laringe.

Apenas a partir do século XIX foi que os pesquisadores passaram a entender e descobrir melhor todas as funções que a tireoide possui. Por exemplo, em 1909, o fisiologista alemão, Emil Theodor Kocher, conquistou o Prêmio Nobel de Medicina por causa de suas descobertas em relação à glândula.

Apesar de ser relativamente pequena, se comparada a outros órgãos do corpo humano, a tireoide é uma das maiores glândulas do organismo, pois pode alcançar até 25 gramas. Outra curiosidade é em relação à sua grafia. É comum nos depararmos com a palavra tiroide, ao invés de tireoide. Apesar das duas formas serem aceitas, a nomenclatura mais conhecida e difundida é, de fato, tireoide. 

Feitas as devidas apresentações, vamos falar sobre o seu funcionamento.

Como funciona a glândula superpoderosa?

Como dito anteriormente, ela é importante em diversos aspectos: em relação à fertilidade, controle do peso, emoções e memória. Assim, a glândula tireoide é responsável por garantir o equilíbrio do organismo e regular a função de órgãos essenciais como o coração, o cérebro, o fígado e os rins.

Mas como isto acontece? O seu funcionamento ocorre através de sinais enviados pelo cérebro à tireoide para a produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), responsáveis por regular a velocidade de todo o funcionamento do organismo. Entretanto, quando essa velocidade fica lenta ou rápida demais, surgem sintomas como cansaço, indisposição, stress, alteração de peso, entre outros. Em outras palavras, quando há uma disfunção da tireoide, ela pode liberar hormônios de forma insuficiente, conhecida como hipotireoidismo, ou em excesso, chamado de hipertiroidismo. Em ambos os casos, o volume da glândula aumenta, e é conhecido como bócio. Para isso, existem medicamentos que controlam essa velocidade e fazem com que o funcionamento da tireoide volte à normalidade.

É importante salientar que estas disfunções são fáceis de identificar e que podem ocorrer em qualquer faixa etária. Exames preventivos podem ser feitos com seu endocrinologista.

 

E agora, COVID-19? Minha glândula escudo vai me proteger?

Em relação ao COVID-19, muitas dúvidas surgem na mente dos pacientes com problemas na tireoide. Mas a boa notícia é que pessoas com hipotireoidismo ou hipertireoidismo, não fazem parte do grupo de risco para a infecção do COVID-19.

Os tratamentos realizados não devem ser alterados. Tanto as pessoas que sofrem de hipotireoidismo, quanto as com hipertireoidismo devem manter o tratamento, tomando os medicamentos indicados pelo médico anteriormente. Caso for preciso, busque atualizações e novas recomendações junto ao seu endocrinologista.

Caso o paciente perceba algum desconforto relacionado aos sintomas de disfunção na tireoide, somente nestes casos é que deve procurar o médico. As orientações do Ministério da Saúde à população geral devem ser seguidas também pelos pacientes com doenças de tireoide. Além disso, caso haja a necessidade de internação hospitalar por algum sintoma de COVID-19, o paciente deve informar à equipe do hospital sobre a sua condição: tratamento utilizado, nome e doses dos medicamentos em uso.

As recomendações em relação às cirurgias na tireoide obedecem aos critérios adotados às outras situações de enfermidade. Se for possível, adie. Quando o caso não for uma emergência, ou seja, não represente risco ao paciente, a orientação dos órgãos de saúde é postergar a cirurgia.

 

Câncer na tireoide

Nos casos de pacientes com câncer de tireoide existem duas situações distintas. Aqueles que já se submeteram à cirurgia e realizaram, ou não, um tratamento, mas que a doença não esteja ativa, estes não se encontram no grupo de risco da infecção COVID-19. Portanto, não necessitam de cuidados especiais, além daqueles indicados a toda população. Porém, pacientes com câncer de tireoide em estágio mais avançado, como por exemplo, metástases e que utilizam medicamentos específicos para o tratamento do câncer, estes sim são considerados de alto risco para o COVID-19. Isto pode ocorrer tanto pela gravidade da doença, quanto pelos efeitos dos medicamentos utilizados. Neste caso, é ainda mais importante que o paciente obedeça às orientações dos órgãos de saúde e mantenha o isolamento social, além de tomar todos os cuidados possíveis, como uso de máscara, lavar as mãos frequentemente e higienizar todos os produtos e objetos. Além disso, é fundamental que o paciente entre em contato com o seu médico para que obtenha orientações específicas.

Busque uma vida saudável

Neste momento, mais do que nunca, é fundamental manter uma rotina saudável. Isto inclui corpo e mente. Busque uma dieta equilibrada, com verduras e frutas. Faça exercícios físicos uma vez ao dia, nem que seja por 20 minutos, mesmo dentro de casa. Cuidar da saúde mental também é importante, portanto, medite, leia um livro e mantenha a calma. Sempre, em qualquer caso de dúvida, fale com seu endocrinologista para uma avaliação individualizada.

O diagnóstico de qualquer disfunção na tireoide é simples e fácil de detectar. Portanto, fique atento às alterações no seu organismo. Em relação ao COVID-19, independente da sua situação, siga as orientações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.

 

Hipoglicemia

A hipoglicemia é caracterizada por um nível muito baixo de glicose no sangue. A maneira de ter certeza se suas taxas de glicose estão muito baixas é checá-las com o aparelho (glicosímetro). Geralmente começamos a nos preocupar quando os níveis estão abaixo de 70 mg/dl.

A hipoglicemia é chamada de grave quando precisamos recorrer a ajuda de terceiros visto que nessas situações pode ocorrer a perda de consciência, ou a crises convulsivas.

As causas de hipoglicemia podem ser muitas, dentre elas: pular refeições; comer menos do que o necessário; exagerar na medicação, acreditando que ela vai trazer um controle melhor da doença.

• Fraqueza, taquicardia (coração batendo mais rápido que o normal), suor frio, confusão mental , tonturas, sensação de fome, sonolência
O tratamento imediato é feito com os seguintes passos:
• Consuma de 15 a 20 gramas de carboidratos, preferencialmente carboidratos simples, como açúcar (Exemplos:uma colher de sopa, dissolvida em água), uma colher de sopa de mel ( mas lembre-se de que mel não é permitido para crianças menores de um ano), refrigerante comum, não diet (um copo de 200 mL), 1 copo de suco de laranja integral, entre outros.
• Verifique a sua glicose depois de 15 minutos;
• Se continuar baixa, repita;
• Assim que a taxa voltar ao normal, faça um pequeno lanche, caso sua próxima refeição estiver planejada para dali a uma ou duas horas.

A melhor solução é a prevenção! Fazer um bom gerenciamento do diabetes e aprender a identificar os sinais da hipoglicemia assim que eles aparecem. Monitorar sempre a glicemia e acostumar-se a conviver com um bom controle glicêmico.

Não desanime! Manter os níveis de glicose dentro da meta pode ser desafiador e um pouco frustrante quando os resultados não são alcançados. O automonitoramento pode ajudar a fazer pequenos ajustes que vão tornar esse processo, aos poucos, mais fácil.

Avanços no Diabetes Mellitus Tipo 1

Para as pessoas que convivem diariamente com o diabetes mellitus tipo 1 (DM1), doença auto-imune que destrói as células pancreáticas que produzem insulina, cada dia traz um desafio diferente para achar o equilíbrio entre a quantidade correta e necessária de insulina para evitar aumento importante da glicemia sem correr o risco de ter uma grave hipoglicemia (baixa do açúcar com consequente sintomas de tonturas, suor, palpitações, etc.).

Um recente estudo pode ser um passo importante na tentativa de frear a progressão da doença e, possivelmente, até uma espécie de prevenção do aparecimento do DM1. Trata-se do uso  endovenoso do medicamento Teplizumab. Tal medicamento foi usado por 2 semanas em familiares de pacientes diabéticos, os quais possuem um risco de desenvolver diabetes  muito maior e que também tinham auto-anticorpos presentes no sangue além de testes anormais de glicose, ou seja, eram pessoas com um risco muito alto de desenvolver diabetes.

No final do estudo, 57% dos pacientes que receberam o medicamento ainda não haviam desenvolvido diabetes contra apenas 28% do grupo placebo. Ainda não se sabe se tais pacientes poderão desenvolver diabetes no futuro, mas tal estudo conseguiu demonstrar um atraso de 2 anos no desenvolvimento do diabetes nos pacientes selecionados e, quando se fala em uma doença crônica, esse tempo pode significar muito.

Fonte: Jennifer Abbasi. Medical News & Perspective. JAMA 2019.

Diabetes tipo 2 em adolescentes

O Diabetes tipo 2, ligado à obesidade e a má alimentação, por muito tempo se configurou como uma doença associada a adultos. Porém, novos casos passam a ganhar destaque nas pesquisas em virtude do aumento dos índices entre os adolescentes.

De acordo com o ADA – American Diabetes Association, organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos (que tem como objetivo educar o público sobre o diabetes e ajudar as pessoas afetadas por ele) o diabetes tipo 2 em adolescentes pode causar complicações alarmantes, principalmente no coração, rins, olhos, nervos e na gestação.

O artigo Diabetes tipo 2 em adolescentes publicado no Medscape  cita a pesquisa Longitudinal Outcomes in Youth With Type 2, que foi realizada com jovens diagnosticados com diabetes tipo 2 já no início da adolescência, que acabaram apresentando taxas preocupantes de complicações associadas ao diabetes até cerca dos 25 anos de idade, justo num período em que os jovens deveriam estar no ápice de sua produtividade.

Fizeram parte do estudo mais de 500 adolescentes , sendo que 5 deles morreram, por motivos relacionados ao diabetes, num período de 7,5 anos após o diagnóstico da doença.
As cinco mortes foram por infarto agudo do miocárdio (IAM), insuficiência renal, sepse, parada cardíaca pós-operatória e uma overdose.

Dr. Philip S. Zeitler, Ph.D., médico, professor de endocrinologia pediátrica, University of Colorado School of Medicine, afirma que:

“Os fatores de risco cardiovascular são altamente prevalentes nesta população, os danos a órgãos-alvo são evidentes, e eventos cardiovasculares importantes estão ocorrendo em taxas inesperadas para a idade (em torno de 20 anos)”. Com relação ao sexo feminino, foram constatadas muitas complicações em gestações, além de morbidade neonatal. Os números são considerados elevados quando comparados a mesma faixa etária da população geral.

Jovens que manifestaram diabetes tipo 2, apresentam desenvolvimento de complicações e perda de controle glicêmico num curso muito rápido de tempo e isso reforça a necessidade de intervenção médica, sobretudo com administração de medicamentos.

A necessidade de tratamentos mais ágeis evidencia a tendência de um Diabetes mais agressivo e, ao mesmo tempo, a relação com doença cardiovascular. Dr. Philip enfatiza a importância de “não hesitar em um tratamento mais agressivo […] É um fato bastante alarmante para a saúde desses pacientes nos próximos 10 ou 15 anos”, disse ele, “porque não temos um bom tratamento para isso, e não temos muita certeza sobre o que fazer”.

 

Gestação e diabetes

Abortos espontâneos, bebês natimortos e prematuros fazem parte dos desfechos maternos entre as jovens com diabetes tipo 2. Muitas meninas necessitaram ser hospitalizadas em virtude de pré-eclâmpsia e hipertensão gestacional.

15,9% dos bebês apresentaram peso muito baixo e, 18,9% tinham macrossomia (peso igual ou superior a 4.000 g independente da idade gestacional).

Além disso, também apareceram casos de hipoglicemia neonatal, desconforto respiratório e anomalia cardíaca.

Os especialistas que acompanharam a pesquisa realizada reconhecem que o tratamento de pacientes com diabetes tipo 2 de início na juventude, é diferente. Os casos de Diabetes tipo 2 em jovens podem ser associados ao aumento da industrialização, desenvolvimento socioeconômico e estilo de vida, em que o sedentarismo crescente e as mudança nos hábitos alimentares compõem o cenário.

É fundamental o acompanhamento da família no tratamento e também na criação e manutenção de bons hábitos para a saúde, com atividades físicas e, sobretudo, com uma alimentação saudável.

É imprescindível que o paciente compareça às consultas médicas regularmente, nas quais receberá orientações sobre o Diabetes e seu tratamento. Só um especialista saberá indicar de forma correta a melhor maneira de lidar com todas as adversidades da doença e os melhores caminhos a serem seguidos.

Amamentação e diabetes: entenda benefícios para mães e bebês

Amamentação e Controle glicêmico para as mães diabéticas

A Semana Mundial do Aleitamento Materno acontece este ano, de 1º de agosto a 7 de agosto, e traz como tema central “Capacite os pais e permita a amamentação, agora e no futuro!”. Instituída em mais de 120 países, que se unem para reforçar a importância da lactação, a data também é uma excelente oportunidade para relembrar a importância do aleitamento materno contra as diabetes.

Nesse período, para as mães com diabetes, a amamentação pode representar um melhor controle glicêmico, ainda mais se possuírem diabetes tipo 2. Já para as mulheres diabéticas tipo 1, o monitoramento da glicemia deve acontecer antes e depois de amamentar. Isso é importante porque durante a lactação, ocorre uma intensa queima de calorias, e episódios de hipoglicemia podem acontecer.

Estudo aponta que amamentar reduz pela metade o risco de as mães desenvolverem diabetes

De acordo com a OMS – Organização Mundial da Saúde, é recomendado que o aleitamento materno aconteça até os 02 anos da criança. Muitos são os estudos que comprovam que há grandes benefícios, tanto para as mães quanto para os bebês.

Em uma pesquisa publicada na revista médica JAMA Internal Medicine, revelou que o ato da amamentação pode diminuir o risco das mães de desenvolverem diabetes do tipo 2.

O trabalho acompanhou um grupo de 1.238 mulheres por mais de três décadas e concluiu que diabetes tipo 2 foram bem menos frequentes nas lactantes. Dessa forma, os cientistas descobriram que o fator protetivo do aleitamento é inegável.

Isso porque, durante a realização da pesquisa, as mães que amamentaram por seis meses ou mais, contaram com uma redução de 48% no risco do diabetes tipo 2 surgir. Já no caso das mães que ofereceram o peito por um tempo menor do que este, houve uma incidência de 25% menor em comparação àquelas mulheres que nunca amamentaram.

O que acontece com o organismo da mulher durante a amamentação

O organismo feminino, para produzir o leite, diariamente, retira da corrente sanguínea aproximadamente 50 gramas de açúcar. Junto a esse processo, há um grande esforço do próprio organismo para gastar cerca de 300 calorias/dia para conseguir dar conta da demanda que a amamentação exige.

Como o diabetes do tipo 2 conta com a obesidade sendo um dos fatores de risco, o fato de perder tecido adiposo, ou seja, gordura, também ajuda a amenizar o perigo.

Além disso, a mulher, ao dar de mamar, conta com excesso de prolactina circulando em todo o seu organismo. Esse hormônio é responsável por estimular a produção do leite, e há estudos que acreditam que ele preserve a massa das células beta-pancreáticas, aquelas responsáveis em sintetizar e eliminar o hormônio da insulina.

Importância da amamentação para as mulheres

A importância do aleitamento materno para a saúde do bebê é mais divulgado e difundida, porém poucos têm clareza dos benefícios que traz para a mãe.

Entre os benefícios destacam-se:

– ajuda a mulher a perder peso após o parto;

– auxilia no retorno do útero ao tamanho normal após o parto;

– reduz o risco da mãe apresentar hemorragias e anemias após o parto;

– reduz riscos da mulher desenvolver câncer de mama, ovários e diabetes;

– aumenta a relação afetiva com o bebê.

Benefícios para o bebê

Além dos benefícios para a mãe, o aleitamento materno também traz uma série de benefícios para o bebê, principalmente contra o desenvolvimento de diabetes.

Inclusive existem estudos que apontam a relação do aleitamento materno com a diminuição das chances de a criança desenvolver diabetes tipo 2 na fase adulta.

Isso porque o leite materno contém todos os nutrientes e anticorpos essenciais até o 6º mês de vida.

Entre os benefícios da amamentação para as crianças destaca-se:

– menos chance das crianças se tornarem obesas ou com sobrepeso no futuro;

– melhora o desenvolvimento cognitivo da criança;

– protege contra diarreia;

– prevenção de alergias;

– prevenção de anemias;

– prevenção de infecções respiratórias;

– diminui riscos de desenvolver pressão alta, colesterol alto e diabetes tipo 2.

Leite materno deve ser única fonte de alimentação, pelo menos até os seis meses

A própria OMS recomenda que as crianças recebem apenas leite materno nos seus primeiros seis meses de vida. Isso significa que outros alimentos como suco, chá, e nem mesmo água, devem ser oferecidos aos bebês.

O motivo se deve ao fato de que o leite materno é um alimento extremamente completo, que já traz a quantidade de nutrientes que são necessários para a sobrevivência da criança nessa fase da sua vida.

Outro fator que é importante salientar é que o ato de introduzir outros alimentos na alimentação do bebê, antes dos seis primeiros meses, irá se relacionar com uma série de prejuízos à sua saúde. É possível que a criança desenvolva doenças respiratórias, desnutrição, diarreia, e, por muitas vezes, não receba a quantidade de nutrientes necessários para o seu desenvolvimento saudável.

Cuidados importantes para se ter durante a amamentação

Durante o período que a mãe está amamentando, o ideal é que mantenha uma alimentação equilibrada e saudável. Para isso deve incluir em sua dieta frutas, verduras e legumes. E evitar o excesso de sal. Vale lembrar também que é importante beber muita água.

Em relação às medicações, é de extrema importância consultar um médico antes de consumir qualquer remédio, para não correr o risco de prejudicar o bebê.

Mesmo retornando ao trabalho, é possível continuar amamentando. Uma boa alternativa é ordenhar o leite, retirando manualmente ou por meio de uma bombinha de sucção.

Continue acompanhando as nossas dicas de saúde!

Entenda agora: Diabetes e suas complicações

Doença que afeta o metabolismo atinge mais de 11 milhões de brasileiros e causa uma morte a cada dez segundos em todo o mundo

complicações do diabetes

Certamente você ou já ouviu falar de alguém, é portador ou conhece alguém que tenha diabetes. Esta conhecida doença, e por vezes, até vista como comum entre as pessoas, na verdade necessita de uma atenção especial ao seu tratamento, pois se não controlada, pode causar até mesmo a morte.

O Diabetes é uma doença crônica, multifatorial e não transmissível. Ocorre quando o órgão pâncreas não produz insulina suficiente ou quando o corpo humano não consegue mais utilizar de maneira eficaz a insulina que produz.

A insulina é o hormônio que regula a glicose no sangue e é fundamental para manutenção do bem-estar do organismo, que precisa da energia dela para funcionar. Trata-se do medicamento mais eficaz para o controle da glicose no sangue.

A falta deste hormônio ou um defeito na sua ação resulta poderá resultar em complicações mais severas, como o acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia. Já as altas taxas de glicose podem levar a complicações no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos. Em casos mais graves, o diabetes pode levar à morte.

 

Sinais da doença e como prevenir o Diabetes

sinais-do-diabetes

É preciso estar sempre atento a saúde, manifestações do corpo ou quaisquer sintomas que posam se manifestar, de modo que se possa diagnosticar doenças ou preveni-las. No caso do diabetes, os sinais mais comuns são a sede excessiva, a perda de peso, a fome exagerada, a vontade de urinar muitas vezes, a difícil cicatrização de feridas, a visão embaçada, o cansaço e infecções frequentes.

O diagnóstico laboratorial confirma ou exclui a doença e ele pode ser feito de três formas, sendo que em caso positivo, deve ser realizado novo exame para confirmar em outra ocasião. São considerados positivos os que apresentarem os seguintes resultados:

1) glicemia de jejum > 126 mg/dl (jejum de 8 horas)

2) glicemia casual (colhida em qualquer horário do dia, independente da última refeição realizada (> 200 mg/dl em paciente com sintomas característicos de diabetes.

3) glicemia > 200 mg/dl duas horas após sobrecarga oral de 75 gramas de glicose.

Alguns dos fatores de risco são a obesidade, o sedentarismo e o histórico familiar com casos da doença.

Como providências destaca-se mudanças no estilo de vida, especialmente com a inclusão de exercícios, cuidados com a alimentação e dieta, e até conciliar o uso de remédios, se for o caso. Essa prática de exercícios físicos e a alimentação equilibrada ajudam a evitar a diabetes tipo 2, que não tem cura.

Quando a diabetes não é tratada, aumenta o risco de o paciente ter um ataque cardíaco, ficar cego ou sofrer amputação de uma perna.


Os tipos de Diabetes

tipos-de-diabetes

Condições diversas podem levar ao diabetes, porém a grande maioria dos casos está dividida em dois grupos: Diabetes Tipo 1 e Tipo 2. A diferença entre os grupos está no motivo que desregula a glicose.

No Diabetes tipo 1, há uma falha na produção de insulina, o hormônio que coloca o açúcar para dentro das células. Já no tipo 2, responsável por até 90% dos casos da doença, primeiro o organismo não consegue lidar muito bem com a insulina produzida, um problema chamado resistência à insulina. Para compensar o açúcar sobrando, o pâncreas aumenta a secreção do hormônio, só que com o tempo esse trabalho dobrado não só prejudica o órgão, mas deixa de fazer efeito.

Além dos dois tipos, há ainda o diabetes gestacional, que se estabelecido, costuma ocorrer depois da 20ª semana de gravidez, podendo desaparecer ou não, após o término da gestação.

Complicações e riscos a vida

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) as complicações da diabetes são divididas em dois grupos, micro e macrovasculares.

As complicações microvasculares são àquelas que causam danos aos pequenos vasos sanguíneos, como as que acometem os olhos, rins e nervos. Já as macrovasculares incluem as doenças cardíacas e o fluxo insuficiente de sangue para as extremidades do corpo, principalmente pernas.

A doença cardiovascular é a principal causa de morte entre diabéticos. Para se compreender melhor, é preciso saber que os pacientes têm até quatro vezes mais chance de ter um enfarte quando comparados com quem não tem diabete. Ainda que os pacientes possam ser afetados pela perda de visão, problemas renais e amputação de membros, poucos se atentam à relação da doença com o desenvolvimento de problemas cardiovasculares, como enfarte e acidente vascular cerebral (AVC).

Consulte o médico especialista

No caso de ser portador da Diabetes é importante o acompanhamento com médico especialista. Somente este profissional saberá indicar de forma correta:

• a orientação nutricional adequada;
• como evitar complicações;
• como usar insulina ou outros medicamentos;
• como usar os aparelhos que medem a glicose (glicosímetros) e as canetas de insulina;
• fornecer orientações sobre atividade física;
• fornecer orientações de como proceder em situações de hipo e de hiperglicemia.

Tireoide: Entenda qual a função e importância para o corpo

Glândula produtora dos hormônios T3 e T4 é a responsável pelo equilíbrio e pleno funcionamento dos órgãos vitais

 

Você sabia que a tireoide desempenha função essencial para o pleno funcionamento dos órgãos do corpo humano? Quando se fala em tireoide, poucos entendem como se dá a atuação desta significativa glândula situada na parte inferior do pescoço, apoiada na traqueia.

Por alguns instantes até passa a impressão de ser dispensável, irrelevante, mas alto lá! Fique alerta, pois é preciso entender o quão importante e necessário é a tireoide para o pleno e harmônico funcionamento do corpo humano.

Imagine uma fonte geradora de energia, controladora do metabolismo do corpo. Um piloto que acelera e reduz o gasto energético desta máquina perfeita. Eis o papel desempenhado pela tireoide, a glândula responsável pela produção dos hormônios tiroxina (T4) e a tri-iodotironina (T3), controladores da temperatura corporal, pressão arterial e frequência cardíaca. Eles também atuam no desenvolvimento dos ossos, do sistema nervoso e do sistema reprodutivo, além de estimular o crescimento dos tecidos.

Os hormônios T3 e T4 vão trabalhar para o desempenho regulado dos principais órgãos, a exemplo do coração, cérebro, pulmão, fígado e quase todas as funções vitais do organismo.

Se por alguma circunstância, seja genética, ou até mesmo por consequência de impactos emocionais, os hormônios T3 ou T4 se desregularem, poderá provocar alterações significativas ao organismo do indivíduo, resultando em problemas graves na tireoide, conhecido como disfunção e classificados como hipotireoidismo (baixa produção dos hormônios) ou hipertireoidismo (Superprodução dos hormônios).

E isso não é raro de ocorrer, pois conforme estimativa da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), cerca de 10% da população do país possui algum tipo de disfunção na tireoide – e as mulheres são as mais afetadas.


Disturbios da Tireoide x fases da vida

tireoide e fases da vida

Embora se manifeste mais corriqueiramente na vida adulta, distúrbios da tireoide podem aparecer em todas as etapas da vida, da primeira infância até a velhice.

Considerado relativamente raro entre os recém-nascidos, a primeira avaliação para identificar o pleno funcionamento da glândula é realizada por meio do famoso teste do pezinho. Caso identificado distúrbios, é primordial iniciar tratamento nos primeiros 15 dias de vida do bebê, evitando assim problemas no desenvolvimento futuro.

Se alterações na tireoide aparecer ao longo dos primeiros 5 anos de vida, há sérios riscos para o desenvolvimento intelectual da criança. Já na adolescência, os riscos diminuem, pois o intelecto já está quase todo formado. Mesmo assim, fica o alerta para outras possíveis manifestações ou sintomas de alterações da tireoide.

Entretanto, o hipo e o hipertireoidismo se manifestam com mais incidência entre os 30 e os 40 anos. Nessa fase da vida, as alterações hormonais de longo prazo mostram finalmente suas consequências. A principal delas, no caso do hipotireoidismo, é a falência da glândula. No caso de idosos, os sintomas de identificação de doenças da tireoide ficam ainda mais mascarados, pois se confundem com outros sintomas característicos da velhice.

Veja como identificar a hiper ou o hipotireoidismo

estresse e tireoide

Excesso de trabalho e estresse do dia a dia. Muitas vezes, os sintomas da disfunção da tireoide são confundidos, ou mascarados, por problemas decorrentes da vida moderna, atrapalhando o diagnóstico e tratamento prévio da doença. Bem por isso é preciso reconhecer um conjunto de sinais manifestados pelo corpo, que poderão manifestar o hipertireoidismo ou hipotireoidismo.

O hipertireoidismo é a elevação dos hormônios T3 e T4. Provoca a perda de peso, apesar do apetite aumentado, diarreia ou aumento do trânsito intestinal, taquicardia, insônia, irritabilidade, ansiedade, alterações menstruais. É o distúrbio da tireoide considerado mais raro, pois atinge apenas 1,5% da população, mas que representa algo em torno de 2,5 milhões de brasileiros.

Já o hipotireoidismo é o contrário, pois trata-se da redução dos níveis hormonais de T3 e T4. Promove desde variações do peso corpóreo até sintomas como perda de memória, obstipação intestinal, desânimo, cansaço, retenção de líquido, dificuldade de engravidar, queda de cabelo, dores musculares e elevação dos níveis do colesterol.

O indivíduo com hipotireoidismo tem uma tendência ao ganho ponderal, diminuição da termogênese e redução do gasto energético em até 50% – o chamado metabolismo lento.

O hipotireoidismo é mais comum na população adulta, podendo chegar a 10%. Este número aumenta para 15% entre as mulheres que já estão na menopausa.

Diagnóstico, autoexame e tratamento

autoexame da tireoide
Além da história médica completa e exame físico, exames especializados são usados para diagnosticar distúrbios da tireoide. Veja:

•Exames de sangue para medir os níveis de hormônios tireoidianos e TSH;

•Exames de imagem para investigar o tamanho e a presença de nódulos na tireoide;

•Biópsia e Punção aspirativa por agulha fina;

•Cintilografia de Tireoide.

Ainda assim, conforme recomendação da Sbem, é possível realizar um autoexame. Para isso, você vai precisar: copo com água e um espelho.

1. Segure o espelho e procure no seu pescoço a região logo abaixo do pomo de Adão (popularmente conhecido como gogó). Sua tireoide está localizada aí.
2. Estenda a cabeça para trás para que essa região fique mais exposta. Focalize-a pelo espelho.
3. Beba um gole de água e engula.
4. Com o ato de engolir, a tiroide sobe e desce. Observe se há alguma protrusão ou nódulos na glândula. Repita o teste várias vezes até ter certeza.
5. Ao notar protrusões, procure um endocrinologista.

Fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem)

Como tratar distúrbios da tireoide

O tratamento da doença de tireoide depende do tipo de disfunção. Pode incluir apenas acompanhamento clínico, bem como o uso de medicamentos de forma contínua, iodoterapia ou cirurgia em casos mais graves.

Fique atento a um ou mais sintomas citados. Procure sempre um médico endocrinologista, pois é este o profissional apto a lhe recomendar o tratamento adequado. Lembre-se que, quanto antes diagnosticar, mais chances de realizar um tratamento eficaz você terá.

Diabetes e Disfunções Tireoidianas

Especialistas alertam para a relação entre as disfunções tireoidianas e o diabetes.

Os endocrinologistas explicam que é importante se ter atenção com a glândula da tireoide em diabéticos, pois uma pessoa pode apresentar as duas patologias. Pacientes com diabetes tipo 1 podem ser diagnosticados com hipotireoidismo causado pela Tireoidite de Hashimoto ou hipertireoidismo causado pela Doença de Graves.

“Tanto o diabetes quanto as doenças da tireoide são autoimunes, e doenças deste tipo se associam. O diabético tipo 1 tem até 3 vezes mais chance de apresentar problemas tireoidianos. A probabilidade dos do tipo 2 também é grande, mas não sabemos o porquê. Talvez a obesidade ou o processo inflamatório a ela relacionada tenha alguma influência. É importante também ficar atento a associação entre diabetes e doenças da tireoide durante a gestação, pois traz sérias complicações ao feto”

,esclareceu Dra. Laura Ward, diretora do Departamento de Tireoide da SBEM.

A glândula da tireoide é responsável por regular o metabolismo. Ela ajuda tanto no metabolismo da glicose quanto no dos lipídios. O indivíduo que apresenta algum problema na tireoide pode ter uma desregulação no controle glicêmico, aumentando o risco de hiper e hipoglicemia. Além disso, de acordo com a Dra. Laura, podem apresentar também colesterol elevado pelo hipotireoidismo e risco cardiovascular. Por isso, é importante o diagnóstico precoce de disfunção tireoidiana em pacientes diabéticos.

Os médicos esclarecem que o diagnóstico é simples. Basta dosar o TSH, que deve ser feito rotineiramente nos pacientes em tratamento de diabetes. Nos diabéticos tipo 1 a dosagem deve ser realizada a cada ano e nos do tipo 2 a cada cinco anos.

“O controle da disfunção tireoidiana é essencial. Se for hipotireoidismo, deve ser feita reposição de levotiroxina. Se for hipertireoidismo, o indicado é o uso de drogas antitireoidianas ou radioiodoterapia. Em alguns casos, é necessário cirurgia.”

Artigo original: http://www.tireoide.org.br/diabetes-e-disfuncoes-tireoidianas/