Diabetes e Disfunções Tireoidianas

Especialistas alertam para a relação entre as disfunções tireoidianas e o diabetes.

Os endocrinologistas explicam que é importante se ter atenção com a glândula da tireoide em diabéticos, pois uma pessoa pode apresentar as duas patologias. Pacientes com diabetes tipo 1 podem ser diagnosticados com hipotireoidismo causado pela Tireoidite de Hashimoto ou hipertireoidismo causado pela Doença de Graves.

“Tanto o diabetes quanto as doenças da tireoide são autoimunes, e doenças deste tipo se associam. O diabético tipo 1 tem até 3 vezes mais chance de apresentar problemas tireoidianos. A probabilidade dos do tipo 2 também é grande, mas não sabemos o porquê. Talvez a obesidade ou o processo inflamatório a ela relacionada tenha alguma influência. É importante também ficar atento a associação entre diabetes e doenças da tireoide durante a gestação, pois traz sérias complicações ao feto”

,esclareceu Dra. Laura Ward, diretora do Departamento de Tireoide da SBEM.

A glândula da tireoide é responsável por regular o metabolismo. Ela ajuda tanto no metabolismo da glicose quanto no dos lipídios. O indivíduo que apresenta algum problema na tireoide pode ter uma desregulação no controle glicêmico, aumentando o risco de hiper e hipoglicemia. Além disso, de acordo com a Dra. Laura, podem apresentar também colesterol elevado pelo hipotireoidismo e risco cardiovascular. Por isso, é importante o diagnóstico precoce de disfunção tireoidiana em pacientes diabéticos.

Os médicos esclarecem que o diagnóstico é simples. Basta dosar o TSH, que deve ser feito rotineiramente nos pacientes em tratamento de diabetes. Nos diabéticos tipo 1 a dosagem deve ser realizada a cada ano e nos do tipo 2 a cada cinco anos.

“O controle da disfunção tireoidiana é essencial. Se for hipotireoidismo, deve ser feita reposição de levotiroxina. Se for hipertireoidismo, o indicado é o uso de drogas antitireoidianas ou radioiodoterapia. Em alguns casos, é necessário cirurgia.”

Artigo original: http://www.tireoide.org.br/diabetes-e-disfuncoes-tireoidianas/

Entenda um pouco mais sobre esteatose hepática

Segundo estimativas, a esteatose hepática (gordura no fígado) será em um futuro próximo a maior causa de doença hepática crônica no mundo ocidental, acometendo 17–46% dos adultos. Pelas projeções, também será a maior causa de transplante hepático no mundo, superando a hepatite por vírus C. Mas diante de fatos tão alarmantes, por que muitas vezes acabamos negligenciando a esteatose?

“Ah, meu fígado tem gordura, mas nada de mais.” Talvez esse pensamento seja tão simplificado pelo fato de o tratamento ser tão básico: perder peso. Sim, apesar de muitos estudos indicarem certos benefícios do uso de medicamentos para a esteatose – como vitamina E, por exemplo – não há nada tão eficaz para “limpar” o fígado quanto emagrecer.

E quando falamos em reduzir a esteatose hepática, na verdade estamos falando de agir sobre uma série de eventos que também levam ao desenvolvimento do Diabetes tipo 2. Sim, porque o elo comum é a conhecida resistência à insulina. A resistência à insulina aparece como consequência do ganho de peso, quando o pâncreas fabrica mais insulina na tentativa de controlar a quantidade de glicose no organismo. E esta quantidade de glicose vem da alimentação ruim e de hábitos sedentários – não ocasionando “queima” da glicose para gerar energia no corpo. Sobra insulina, o organismo se defende enfraquecendo a insulina e a consequência é, à longo prazo o desenvolvimento de Diabetes tipo 2 e no fígado o acúmulo de gordura dentro das células – chamadas de hepatócitos.

Seguindo esse raciocínio, o caminho inverso é o que desejamos. A perda de peso vai regular o funcionamento do pâncreas e reduzir o acúmulo de gordura no fígado. O que preocupa enquanto o emagrecimento não vem é o risco de cirrose. Um fígado com gordura é um órgão sobrecarregado que pode inflamar (esteatohepatite ou hepatite por gordura), e diante de uma inflamação crônica, pode desenvolver fibrose. A fibrose é como se fosse uma cicatriz, que dificulta o funcionamento correto. Fibrose e mais fibrose… e o processo de cirrose se instala. A partir daí a cirrose vai deteriorando o fígado até a falência hepática – e nesse caso somente o transplante pode ser alternativa.

Hoje existem protocolos para o diagnóstico e tratamento da esteatose, desde exames de sangue, ressonância magnética para avaliação da quantidade de fibrose e de gordura e até biopsia do fígado. É importante ficar atento e agir em caso de diagnóstico de esteatose, pois o que aparentemente parece um quadro de simples acúmulo de gordura – nosso cordeiro – pode em anos seguir para cirrose – o lobo que não queremos.

 

Texto original por Dra. Andressa Heimbecher Soares: https://www.diabetes.org.br/publico/noticias-sbd/1765-lobo-em-pele-de-cordeiro-de-cirrose-a-diabetes-tipo-2-entenda-um-pouco-mais-sobre-esteatose-hepatica

Qual o papel da família no cuidado com o Diabetes?

As atuais abordagens terapêuticas para todos os tipos de diabetes exigem o cuidado efetivo com envolvimento não somente do paciente, mas de toda sua família e das pessoas que lhe fornece apoio social. O apoio familiar é benéfico e necessário para pacientes de qualquer faixa etária. Seja você pai, irmão ou outro membro da família, seu apoio e disposição podem fazer toda a diferença na saúde do membro da família que possui diabetes. As orientações fornecidas por profissionais de uma equipe de saúde, preferencialmente interdisciplinar, com abordagens dos aspectos biopsicossociais centrados no paciente e na sua família devem ser estimulados, enquanto o foco exclusivo na doença deve evitado.

Quando uma pessoa é diagnosticada com diabetes, a família tem sua rotina bruscamente modificada e passa a conviver com novas situações 24 horas por dia. As várias mudanças impactantes incluem os cuidados médicos farmacológicos (comprimidos orais, terapias com insulina, monitorização glicêmica, entre outros) e não farmacológicos (adequação da alimentação, prática regular de atividade física, estilo de vida mais saudável, etc.); os custos com os tratamentos; os desafios enfrentados pelo aluno com diabetes nas escolas ou do adulto nos postos de trabalho; entre outras mudanças podem afetar negativamente a rotina familiar.

Quando a criança tem diabetes os pais costumam assumir toda a responsabilidade pelo tratamento e o manejo da doença. Com o passar do tempo, a criança consegue adquirir autonomia e torna-se capaz de desenvolver habilidades para assumir um papel progressivamente mais ativo no seu tratamento. A capacidade de participação efetiva da criança, com autonomia no processo de aquisição de habilidade de autocuidado, depende mais da sua maturidade que da idade cronológica. Por isso, é importante o envolvimento da família desde o diagnóstico do diabetes, para favorecer o desenvolvimento das estratégias de apoio que possibilitarão o amadurecimento da criança e sua corresponsabilidade pelos resultados alcançados.

É comum que os pais sintam a necessidade de vigiar seus filhos a todo momento com o objetivo de identificar episódios de hipoglicemia ou de hiperglicemia. Isso pode desencadear uma relação marcada por conflitos em família, o que interfere negativamente na adesão do paciente ao tratamento do diabetes. Por outro ponto de vista, se a família reconhece o esforço dos pacientes e oferece seu apoio, há melhor adesão ao tratamento e melhor controle metabólico, tanto em crianças e adolescentes, quanto em adultos com diabetes.

O autocuidado relacionado ao diabetes é um aspecto crítico do manejo da doença para adultos. Como os membros da família podem desempenhar um papel vital no manejo da doença do paciente, envolvê-los em intervenções de autocuidado pode influenciar positivamente os desfechos do tratamento do diabetes neste pacientes.

Estudos recentes evidenciam que a contribuição de membros da família de crianças, adolescentes, adultos ou idosos com diabetes podem contribuir com a melhora do controle glicêmico e o gerenciamento do diabetes. Uma pesquisa de revisão sistemática analisou as intervenções familiares para adultos com diabetes realizadas em estudos publicados no período de 1994 a 2014 e avaliou o impacto do envolvimento da família nos desfechos do diabetes nos pacientes. Os autores encontramos 26 estudos descrevendo intervenções familiares na vida de adultos com adultos. As intervenções foram realizadas com diferentes populações e configurações de pacientes. O grau de envolvimento familiar variou entre os estudos, mas evidências de melhora na autoeficácia dos pacientes, no apoio social percebido, no conhecimento sobre o diabetes e no autocuidado foram identificadas nos estudos. Devido à heterogeneidade dos desenhos do estudo, tipos de intervenções, relato dos resultados e envolvimento da família, foi difícil para os autores determinar como a participação da família nas intervenções do diabetes pode afetar os resultados clínicos dos pacientes. Apenas dois dos 26 estudos eram de alta qualidade e com substancial envolvimento familiar e relato de melhora da hemoglobina glicada (HbA1c). Segundo os autores, o desenvolvimento de intervenções em diabetes que incluam a família pode ser crítico para melhorar a saúde de adultos com diabetes, embora, outros estudos são necessários para investigar claramente o papel da intervenção familiar, e para avaliar a qualidade e a extensão da participação da família neste processo, possibilitando comparar os resultados dos pacientes com e sem o envolvimento familiar.

Os indivíduos com diabetes devem se envolver em comportamentos diários de autocuidado para evitar complicações. Nas relações entre os casais, compartilhar os desafios com seus parceiros pode influenciar positivamente o relacionamento, o qual muitas vezes dificulta a autoeficácia dos pacientes para o controle do diabetes. Um estudo realizado com adultos com diabetes tipo 2 e seus parceiros analisou três aspectos dos relacionamentos que teoricamente podem afetar a autoeficácia: investimento, apoio e satisfação do parceiro no relacionamento. Os autores identificaram que as intervenções destinadas ao apoio dos pacientes em sua autoeficácia para o comportamento de autogestão podem ser melhoradas através da consideração dos relacionamentos afetivos dos pacientes.

Podemos perceber que com tantas mudanças na rotina da pessoa que possui diabetes é necessário desenvolver estratégias para reduzir os conflitos em família. O conflito familiar relacionado ao tratamento do diabetes tem sido visto como problema comum, muitas vezes necessitando intervenções comportamentais para melhorar a comunicação e promover o trabalho em equipe dentro do lar. Diante disso, compartilhar as experiências da vida diária com diabetes com outras pessoas pode auxiliar os pacientes na aceitação e no enfrentamento do diabetes, no controle glicêmico e na redução da angústia acerca do diabetes, o que consequentemente contribui para a melhora da qualidade de vida e dos relacionamentos em família na presença do diabetes.

 

Texto adaptado do site da Sociedade Brasileira de Diabetes https://www.diabetes.org.br/publico/ultimas/1673-a-familia-e-o-diabetes, publicado em 09/07/2018

Dia das Bruxas e o consumo de açúcar

Gostosuras ou travessuras? O Halloween, ou Dia das Bruxas, vem sendo cada vez mais comemorado no Brasil. A tradição norte-americana em que as crianças pedem doces de porta em porta ganhou espaço nos últimos anos, e é preciso estar atento às guloseimas que diabéticos podem ou não consumir. Separamos dois artigos interessantes sobre o consumo de açúcar e a relação dele com o Diabetes.

 

Comer açúcar em excesso causa Diabetes?

Existe uma grande dúvida entre as pessoas se o fato de ingerir açúcar em excesso causa Diabetes. Bem, para começar, é preciso entender o que causa o Diabetes.
Sabe-se que o Diabetes tipo 2 do adulto, que corresponde a 90% dos casos de Diabetes no mundo, tem causa multifatorial, ou seja, são muitos fatores que juntos desencadeiam a doença. A vida sedentária, a tendência genética e principalmente o ganho de peso são as principais causas.O ganho de peso é decorrente do excesso de calorias ingeridas. Dessa forma, se a pessoa come açúcar a mais e acaba por isso ganhando peso, neste caso sim o açúcar é a causa do ganho de peso, que finalmente, pode levar ao Diabetes. Mas se a pessoa come pão em excesso, ou batata, ou arroz, e devido a estas calorias fica acima do peso, também igualmente tem risco de desenvolver Diabetes.Resumindo: não é o fato de comer especificamente açúcar que causa Diabetes, mas sim o fato de comer em excesso qualquer alimento que acabe fazendo com que o pesoda pessoa aumente. E, além do excesso de peso, é preciso juntar outros fatores, como sedentarismo e história familiar para daí sim, ter maior risco de desenvolver Diabetes. Quer evitar o Diabetes? Comece combatendo o sedentarismo e equilibrando a sua dieta com alimentos saudáveis!

 

Diferenças entre Diet e Light

Os termos diet e light foram criados para facilitar e ajudar na identificação de diferentes tipos de alimentos. Quando se tem o diagnóstico de Diabetes, a primeira ideia é que devemos usar a partir de então somente produtos dietéticos. Mas para isso é importante analisar se todos são mesmo indicados, até porque nem todos os alimentos diet são sem açúcar.Os alimentos diet se destinam a grupos populacionais com necessidades específicas e significa que o produto é isento de um determinado nutriente. Na maioria dos produtos, os diet são sem açúcar, mas é importante comprovar se o nutriente retirado foi mesmo o açúcar, e não gordura, sódio ou outro componente.É importante que fique claro também que nem todos os alimentos diet apresentam diminuição significativa na quantidade de calorias e, portanto, podem não ser adequados para pessoas que querem emagrecer.Um exemplo clássico é o chocolate diet que apresenta teor calórico próximo do chocolate normal. O chocolate diet pode ser indicado para as pessoas com diabetes, pois é isento de açúcar (carboidrato de absorção rápida), mas não para as que desejam reduzir o peso já que tem maior adição de gordura. Além disso, os produtos dietéticos sem adição de açúcar podem conter outras formas de carboidratos que também interferem na glicemia, como frutose, lactose, amido ou maltodextrina. Contudo, o mais importante é usar com moderação e ficar sempre “de olho” na quantidade de carboidratos contida no produto.

Já o produto light é direcionado a pessoas que buscam uma alimentação mais saudável e apresenta redução mínima de 25% em determinado nutriente ou calorias quando comparado ao produto convencional. A redução de calorias pode vir da diminuição no teor de qualquer nutriente (carboidrato, gordura, proteína), mas não quer dizer que seja sem açúcar.

Exemplo:

DIET

Balas sem açúcar

Capuccino sem adição de açúcar

Geléia sem adição de açúcar

Biscoito waffer sem adição de açúcar

LIGHT

Bolo light – com teor reduzido de açúcar

Açúcar light – com teor reduzido de açúcar e inclusão de adoçante

Margarina light – com teor reduzido de gordura

Refrigerante light – com teor reduzido de calorias pela retirada do açúcar (pode ser chamado também de diet)

Para minimizar as dúvidas, na hora da compra, deve-se sempre ler os rótulos dos alimentos. Mas o que verificar?

Para identificar se o alimento diet é mesmo sem açúcar, observe no rótulo principal se está escrito sem adição de açúcar ou zero açúcar. Caso não encontre essa informação de forma fácil na frente do rótulo, procure nos ingredientes. O açúcar pode ter vários nomes como sacarose, glicose ou dextrose, açucar invertido, açúcar demerara, açúcar mascavo. E se ver a palavra edulcorante na lista de ingredientes, quer dizer que esse produto foi adicionado adoçante. Edulcorante é o nome da substância adoçante. Exemplo: edulcorante aspartame, sucralose, acessulfame K.

Fonte e artigo original: https://www.diabetes.org.br/publico/produtos-dieteticos-nutricao/837-produtos-dieteticos-diferencas-entre-diet-e-light

Apenas 2 semanas de inatividade podem acelerar o início do diabetes em idosos

Um novo estudo mostra que duas semanas de inatividade física podem desencadear diabetes em idosos com pré-diabetes.

À medida que envelhecemos, o exercício físico torna-se cada vez mais importante. A internet está repleta de pesquisas recentes que exaltam os múltiplos benefícios do exercício físico para idosos.

Por exemplo, a atividade aeróbica e o treinamento muscular mostraram melhorar o bem-estar psicológico de pessoas idosas, e até mesmo alguns minutos de exercícios leves podem aumentar o tempo de vida e melhorar a função cerebral.

Os benefícios da atividade física há muito são elogiados, mas quais são os efeitos da inatividade física? Alguns estudos mostraram que ter um estilo de vida sedentário prejudica a saúde do cérebro e aumenta o risco de diabetes e demência em idosos, enquanto outros sugerem que ser fisicamente inativo simplesmente faz com que envelheça mais rapidamente.

Nova pesquisa analisa os efeitos metabólicos da inatividade física para idosos. Uma equipe de cientistas liderada por Chris Mcglory – pesquisador do Diabetes Canada no Departamento de Cinesiologia da McMaster University em Ontário, Canadá – começou a investigar os efeitos de duas semanas de inatividade em adultos idosos com risco de diabetes.

Os resultados foram publicados em The Journals of Gerontology.

 

Efeitos nocivos da inatividade difíceis de reverter

Mcglory e seus colegas examinaram um grupo de idosos entre 60 e 85 anos que já haviam sido diagnosticados com pré-diabetes.

Os pesquisadores pediram aos participantes do estudo que restringissem seu número diário de passos para menos de 1.000 por um período de 2 semanas. Não mais do que mil passos por dia é o equivalente a estar em casa.

Durante o período do estudo, os pesquisadores monitoraram a atividade física dos idosos usando pedômetros e outros dispositivos especializados; eles também coletaram amostras de sangue e mediram os níveis de açúcar no sangue dos participantes.

A pesquisa revelou que apenas alguns dias após o início do estudo, a massa muscular e a força dos participantes diminuíram significativamente.

É importante ressaltar que os pesquisadores também notaram que as pessoas que tinham pré-diabetes rapidamente exibiam sinais de diabetes tipo 2, como a resistência à insulina.

Além disso, apenas retornar a um regime de exercícios saudáveis ​​por mais duas semanas não foi suficiente para compensar os efeitos nocivos da inatividade, descobriram os pesquisadores.

“Esperávamos descobrir que os participantes do estudo [desenvolveriam diabetes], mas ficamos surpresos ao ver que eles não voltaram […] ao estado mais saudável quando retornaram à atividade normal.”
Chris Mcglory

Stuart Phillips, que é professor de cinesiologia na McMaster e investigador sênior do estudo, também comenta as descobertas, dizendo: “O tratamento da diabetes tipo 2 é caro e muitas vezes complicado”.

“Se as pessoas ficarem de pé por um longo período, elas precisam trabalhar ativamente para recuperar sua capacidade de lidar com o nível de açúcar no sangue”, continua Phillips.

Mcglory ecoa os mesmos sentimentos e acrescenta: “Para que os idosos recuperem a saúde metabólica e impeçam novos declínios de períodos de inatividade, estratégias como reabilitação ativa, mudanças na dieta e talvez medicação podem ser úteis”.

Nos Estados Unidos, mais de 84 milhões de adultos vivem atualmente com pré-diabetes e outros 23,1 milhões receberam um diagnóstico formal de diabetes, portanto, esses achados podem ser relevantes para uma parte significativa da população.

 

Fonte: Medical News Today, por Ana Sandoiu , em 31/07/2018

Artigo original: https://www.facebook.com/notes/anad-associa%C3%A7%C3%A3o-nacional-de-aten%C3%A7%C3%A3o-ao-diabetes/apenas-2-semanas-de-inatividade-podem-acelerar-o-in%C3%ADcio-do-diabetes-em-idosos/2063366073696131/

Dia Mundial do Diabetes integra calendário oficial do Ministério da Saúde

A Sociedade Brasileira de Diabetes reuniu-se com o Ministério da Saúde no dia 3 de julho para discutir estratégias de conscientização acerca da doença, que é considerada uma epidemia diante dos números que se elevam a cada ano e o recente dado do VIGITEL, apontando 54% de aumento nos homens, entre 2006 e 2017. No entanto, o tema não estava mais no Calendário de Saúde do Ministério.

Durante a reunião, representantes da Vigilância Epidemiológica e Promoção à Saúde, da Secretaria de Assistência à Saúde e Atenção Básica, acertaram as estratégias para retomar a parceria com a SBD já este ano. Dentre elas, a (re) incorporação do Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de novembro, no Calendário da Saúde.

“Esta conquista é fruto do trabalho desenvolvido pelo Advocacy da SBD e faz parte da nossa atuação em prol da divulgação de informações a respeito da doença. Junto ao MS, articulamos para que Novembro agora seja também marcado como o mês de conscientização do diabetes”, afirma a Dra. Hermelinda Pedrosa, presidente da SBD.

Além da SBD, representada pela Dra. Hermelinda, também estiveram presentes a ADJ Brasil, com o Presidente Gilberto Soares Casanova, e Vanessa Pirolo, e a Federação Nacional de Associações e Entidades de Diabetes (FENAD), com Luiz Medeiros.

Sobre a SBD

Filiada à International Diabetes Federation (IDF), a Sociedade Brasileira de Diabetes é uma associação civil sem fins lucrativos, fundada em dezembro de 1970, que trabalha para disseminar conhecimento técnico-científico sobre prevenção e tratamento adequado do diabetes, conscientizando a população a respeito da doença e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. Também colabora com o Estado na formulação e execução de políticas públicas voltadas à atenção correta dos pacientes, visando a redução significativa da doença no Brasil.

 

Artigo original: https://www.diabetes.org.br/publico/ultimas/1672-dia-mundial-do-diabetes-integra-calendario-oficial-do-ministerio-da-saude

Diabetes: finalmente o comprimido de insulina pode estar próximo

Fonte: Medical News Today, 26/06/2018 por Maria Cohut
Indivíduos com diabetes tipo 1 precisam diariamente de se injetar com a dose necessária de insulina para controlar sua condição. No futuro, as injeções podem não ser mais necessárias; os cientistas estão desenvolvendo uma maneira viável de administrar insulina em forma de comprimido.
Pesquisadores desenvolveram um comprimido para o fornecimento oral de insulina e esperam que ele seja disponibilizada aos pacientes.
O diabetes tipo 1 é um tipo de diabetes com menor prevalância e ao contrário do diabetes tipo 2, é muitas vezes hereditário e não evitável.
No diabetes tipo 1, o sistema imunológico ataca e danifica erroneamente as células do pâncreas que produzem insulina, um hormônio essencial para a regulação dos níveis de açúcar no sangue.
O diabetes tipo 1 não controlado pode causar muitos problemas de saúde devido aos elevados níveis de açúcar no sangue.
Para evitar complicações e manter a condição sob controle, as pessoas diagnosticadas com esse tipo de diabetes devem receber doses diárias de insulina administradas na corrente sangüínea por meio de injeções ou bombas de insulina.
Mas esses métodos são incômodos e múltiplas injeções diárias são perturbadoras e desagradáveis – especialmente para indivíduos que podem ter fobia por agulha.
Administrar insulina por via oral, em forma de comprimido , seria uma alternativa preferível. Mas, infelizmente, a insulina se deteriora rapidamente ao entrar em contato com ácido gástrico ou enzimas digestivas. E, até agora, os pesquisadores não tiveram sucesso em suas tentativas de desenvolver um revestimento que transportasse insulina com segurança além dos obstáculos do sistema digestivo e na corrente sanguínea.
Recentemente, no entanto, uma equipe de especialistas da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas John A. Paulson de Harvard, em Cambridge, MA, sugeriu um comprimido que, segundo eles, é capaz de realizar esse trabalho.
“Uma vez ingerida, a insulina deve percorrer uma pista de obstáculos desafiadores antes que possa ser efetivamente absorvida pela corrente sanguínea”, diz o autor sênior do estudo Samir Mitragotri.
Mitragotri e sua equipe descrevem suas pesquisas e o comprimido que fornece insulina, desenvolvida em um artigo publicado na revista PNAS.

 
Como um canivete suíço
Os pesquisadores criaram um complexo revestimento de comprimidos, projetado para proteger a insulina do ácido gástrico e das enzimas do intestino delgado e também ser capaz de penetrar nas barreiras protetoras do intestino.
Neste comprimido , a insulina seria inserida em um líquido iônico que contém colina e ácido gerânico, ele próprio encapsulado em revestimento entérico, que é resistente ao ácido gástrico. O revestimento entérico protege o resto do ambiente ácido do estômago, apenas se dissolvendo no intestino delgado. Aqui, o líquido iônico resistiria às enzimas digestivas, protegendo a insulina contra elas.

“Quando uma molécula de proteína, como a insulina, entra no intestino”, diz o primeiro autor, Amrita Banerjee, “existem muitas enzimas cuja função é degradar as proteínas em aminoácidos menores”. No entanto, ela acrescenta, “a insulina iônica de origem líquida permanece estável”. E a combinação de colina e ácido gerânico é então capaz de perfurar tanto o muco que reveste o intestino delgado, quanto a densa parede celular do próprio intestino.

“Nossa abordagem é como um canivete suíço, onde uma pílula tem ferramentas para lidar com cada um dos obstáculos encontrados”.

 

Samir Mitragotri
Os cientistas também observam que o comprimido é facilmente fabricado, que este processo seria mais rentável do que as outras terapias e que o comprimido não é prontamente perecível – pode ser mantido com segurança por até 2 meses à temperatura ambiente – uma vida útil maior do que da insulina injetável que é distribuída atualmente.

 
“Resultados notáveis”
Depois de tantos casos de tentativa e erro quando se trata de encontrar uma forma de administrar insulina por via oral, outros especialistas elogiam os pesquisadores envolvidos com o novo estudo por sua realização. “Tem sido o santo graal da entrega de drogas para desenvolver formas de dar drogas de proteína e peptídeo como a insulina por via oral, em vez de injeção”, explica Mark Prausnitz, professor de regentes e J. Erskine Love Jr. Presidente em Engenharia Química e Biomolecular no Georgia Institute of Technology, em Atlanta.
“Este estudo mostra resultados notáveis onde a insulina administrada por via oral em combinação com um líquido iônico funciona tão bem quanto uma injeção convencional. As implicações deste trabalho para a medicina podem ser enormes, se as descobertas puderem ser traduzidas em comprimidos que administrem de forma segura e eficaz. insulina e outras drogas peptídicas para os seres humanos “, acrescenta.
A insulina administrada oralmente, explicam os pesquisadores, chegaria ao sangue de uma forma mais semelhante à liberação natural de insulina pelo pâncreas. Além disso, este método pode diminuir os efeitos adversos associados ao recebimento de repetidas injeções de insulina. Mitragotri explica que o próximo passo será realizar mais estudos em modelos de animais e garantir que o comprimido que eles projetaram seja completamente seguro para ingestões, embora os cientistas estejam totalmente otimistas. Eles dizem que a colina e o ácido gerânico já são considerados compostos seguros, e esperam que isso ajude a facilitar o caminho para testes clínicos em seres humanos.

Mitos e Verdades sobre o Distúrbios da Tireoide

Existem muitas dúvidas dos pacientes, relacionadas a distúrbios da tireoide, como o hipotireoidismo, nódulos, perda de peso, etc. Para esclarecer o que é mito e o que é realidade, a Dra. Laura Ward, presidente do Departamento de Tireoide da SBEM (2011/2012), listou várias questões e os esclarecimentos.

  • (1)   Hipotireoidismo engorda.

Mito: Embora o ganho de peso seja uma das manifestações clínicas do hipotireoidismo, existem muitos pacientes portadores da disfunção da tireoide que não apresentam esta queixa. Quando ocorre, o ganho de peso é pequeno, de cerca de 2Kg e o tratamento reverte totalmente este efeito do hipotireoidismo.

  • (2)   Hipotireoidismo causa depressão.

Verdade: Metade dos pacientes com hipotireoidismo apresentam sintomas depressivos e até mesmo depressão e um terço dos pacientes com depressão têm hipotireoidismo. Os hormônios tireoidianos agem nos sistemas noradrenérgico e serotoninérgico que são importantes para o humor, assim como em várias áreas do cérebro, sendo importante para memória, raciocínio, libido, sono-vigília entre outros. Portanto pacientes com hipotireoidismo devem ser avaliados quanto à alteração de humor e pacientes com depressão devem ter a função tireoidiana avaliada.

  • (3)   Hipotireoidismo faz perder cabelos.

Verdade: Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem ser causas de queda de cabelo. Estas alterações da tireoide podem ser diagnosticadas através de exames laboratoriais. O tratamento correto das doenças da tireoide pode corrigir a perda capilar.

  • (4)    Hipotireoidismo atrasa o metabolismo.

Verdade: Pessoas com hipotireoidismo sofrem a redução da sua atividade metabólica.   Sendo assim, o organismo gasta menos energia, além de reter mais sal e água, provocando o inchaço.

  • (5)    Hipotireoidismo não afeta a qualidade de vida.

Mito: Se não tratado ou tratado de forma inadequada o hipotireoidismo vai alterar de forma importante a qualidade de vida, pois causa infertilidade, cansaço, sonolência, alterações humor e memória e ganho de peso o que com certeza prejudica o desempenho no trabalho, no lazer e atividade intelectual.

  • (6)    Todo nódulo de tireoide é câncer.

Mito: O principal sinal do câncer de tireoide é um caroço (nódulo) na tireoide, porém em boa parte dos casos, esse tumor não apresenta qualquer sintoma. É comum o médico descobrir o nódulo durante um exame físico de rotina. O diagnóstico do câncer de tireoide é feito com uma biópsia do nódulo de tireoide ou após sua remoção por cirurgia. Mas a maioria dos nódulos é benigna.

Estima-se que 60% da população brasileira tenham nódulos na tireoide em algum momento da vida, sendo que a maioria dos nódulos é benigna.

  • (7)    Hipotireoidismo só surge em mulheres.

Mito: O hipotireoidismo atinge pessoas de ambos os sexos e de todas as idades. Porém, certos grupos são mais vulneráveis:

– Mulheres, especialmente acima dos 40 anos.

– Pacientes em radioterapia de cabeça e pescoço.

– Pessoas que já tiveram problemas de tireoide.

– Usuários de lítio ou amiodarona.

– Homens acima dos 65 anos.

– Pessoas com histórico familiar de doença autoimune.

  •  (8)    Hipotireoidismo causa impotência sexual.

Verdade: A doença pode causar diminuição da libido, impotência e diminuição na quantidade de espermatozoides.

  • (9)    Só idosos desenvolvem hipotireoidismo.

Mito: Apesar de ser mais comum em pessoas acima de 40 anos, o hipotireoidismo pode ocorrer em todas as fases da vida. Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos de todas as raças e gêneros podem ter a doença.

  • (10) Eu posso controlar o hipotireoidismo com alimentação.

Mito: Pacientes com hipotireoidismo podem se beneficiar de uma dieta mais específica para a redução de sintomas comuns à doença como inchaço, fadiga, enfraquecimento de unhas e cabelos, ao mesmo tempo em que ajuda na redução ou manutenção do peso. Porém, nenhum alimento, suplemento alimentar nem qualquer fórmula é capaz de substituir o tratamento clínico da doença.

  • (11) Alimentação ajuda na redução dos sintomas do hipotireoidismo.

Verdade: Existem alimentos e nutrientes que podem contribuir para uma melhor qualidade de vida para os pacientes de hipotireoidismo e também alguns que devem ser evitados. O consumo excessivo de sal, por exemplo, pode ser nocivo porque o sal de cozinha é iodado por força de lei com o intuito de prevenir o déficit de iodo. O excesso de sal pode prejudicar a tireoide. Uma dieta saudável para pacientes com hipotireoidismo inclui grãos integrais, alimentos naturais, castanhas, abundância de frutas e vegetais e uma boa oferta de proteínas magras. Importante lembrar que, no hipotireoidismo, a boa alimentação deve ser sempre associada ao tratamento clínico.

  • (12)Todo mundo que tem hipotireoidismo, tem um “papo” no pescoço.

Mito: Existem algumas formas (causas) de hipotireoidismo e nem todas apresentam o bócio (“papo”). Além disso, em geral, os outros sintomas da doença normalmente levam o paciente a procurar ajuda médica antes que a doença progrida até este ponto.

  • (13) Mulheres com hipotireoidismo não podem engravidar.

Mito: Doenças da tireoide não tratadas podem levar a problemas de fertilidade em ambos os sexos.  As pacientes que apresentam deficiência grave da tireoide, de duração prolongada, têm menor chance de engravidar ou, quando concebem, de manter a gravidez. Estudos mostram que 2,3% das mulheres com mais de um ano de infertilidade têm hipotireoidismo. Já 69% das pacientes têm disfunção ovulatória. Mas observa-se que 64% engravidam após receberem o controle adequado¹. Caso a mulher já tenha sido diagnosticada com hipotireoidismo e venha controlando a doença, as chances de engravidar e ter uma gestação saudável são iguais as de uma mulher que não tenha a doença.

  • (14) Hipotireoidismo causa retardo mental

Verdade: O hormônio da tireoide é fundamental para o desenvolvimento do cérebro do bebê. As crianças que nascem com hipotireoidismo congênito (sem função tireoidiana ao nascer) podem ter sérias sequelas cognitivas, neurológicas e de desenvolvimento, caso o problema não seja identificado e controlado precocemente.

  • (15) Hipotireoidismo pode ser detectado pelo Teste do Pezinho

Verdade: Retira-se uma gota de sangue do pé do bebê no terceiro dia de vida. O exame ajuda a verificar se a tireoide do bebê está funcionando bem, além de atestar a ocorrência de outras doenças. Se o hipotireoidismo congênito for controlado de forma adequada e precocemente, a criança leva uma vida normal.

  • (16) Tomar hormônio tireoidiano é bom para emagrecer

Mito: só emagrece quem faz uso do medicamento sem ter hipotireoidismo. Além disso, ser absolutamente contra-indicado, primeiro a pessoa perde calorias derivadas dos músculos e só depois é que são consumidas as reservas de gordura. Isso significa que antes de eliminar a barriga, há uma redução da musculatura, o que leva à perda da força e à flacidez. Pior ainda é que o excesso de hormônios acelera a reabsorção do cálcio do osso, o que leva ao enfraquecimento do esqueleto, além de arritmias que podem ser até fatais.

  • (17) Todo nódulo na tireoide precisa ser operado

Mito: A maior parte dessas alterações é benigna, logo, não precisam ser removidas. Porém, caso o médico suspeite de um câncer, a cirurgia pode ser indicada.

  • (18) Hipotireoidismo reduz o desempenho físico.

Verdade: Devido à redução do metabolismo, quem sofre com o distúrbio da tireoide ‘funciona’ mais lentamente. Com isso, tanto as atividades físicas, especialmente em atletas profissionais, quanto o desempenho sexual e intelectual ficam comprometidos. Daí a dificuldade para trocar a caminhada pela corrida, por exemplo, e raciocinar ou tomar decisões mais rapidamente. A boa notícia é que a reposição hormonal reverte todos esses sintomas.

  • (19) Hipotireoidismo é muito perigoso durante a gestação.

Verdade: Para uma gravidez tranquila é essencial que a glândula funcione direito, especialmente nas 12 primeiras semanas, período em que alguns hormônios da futura mãe diminuem e outros passam a ser fabricados, a placenta começa a se formar e o bebê desenvolve seus principais órgãos. “Por outro lado, a falta de cuidado com o hipotireoidismo pode causar parto prematuro, defeitos neurológicos, QI abaixo do normal, surdez e até aborto”, diz Laura Sterian Ward.

  • (20)É importante fazer ultrassom uma vez por ano para ter o diagnóstico de câncer de tireoide.

Mito: O exame é bastante sensível e, por isso, acaba rastreando até mesmo os nódulos que não são malignos e, com isso, pode levar a preocupações desnecessáriasO melhor teste para diagnosticar disfunções tireoidianas é a dosagem de TSH, feita a partir do sangue e que deve ser colhido pela manhã.

Artigo original: http://www.tireoide.org.br/mitos-e-verdades-sobre-o-disturbios-da-tireoide/

Páscoa, Chocolate e o Diabetes

Com a Páscoa se aproximando não tem como não lembrar dos ovos de chocolate.

O Brasil é o segundo no ranking mundial dos produtores de ovos de chocolate, perdendo apenas para a Inglaterra.

O cacau chegou ao Brasil pelo estado do Pará, em 1746, trazido pelo francês Louis Frederic Warneaux.Na metade do século 19, o Brasil já era o maior exportador de cacau do mundo, chegando a mandar para o exterior, em 1880, mais de 70 mil toneladas. Com a produção do cacau em alta, começaram a surgir, no fim do século 19 e início do século 20 as indústrias de chocolate no país.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (ABICAB), anualmente, cada brasileiro come, em média, 2,5 kg de chocolate.

O cacau, substância da qual se produz o chocolate é naturalmente amargo, sendo por isso, confeccionado adicionando-lhe açúcar e outros ingredientes tal como leite e frutos secos. A composição precisa do chocolate varia em todo o mundo devido à diferença de gostos e legislação, que se preocupa com as porcentagens de cacau e sólidos do leite adicionais, quantidade e tipos de gorduras vegetais permitidas.

De acordo com a definição publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), chocolate é o produto preparado com cacau obtido por processo tecnológico adequado e açúcar, podendo conter outras substâncias alimentícias aprovadas.

É um alimento de amplo consumo mundial conhecido por seu alto valor energético e, por isso é frequentemente banido do consumo dietético regular de algumas pessoas. Mas, além das calorias o chocolate fornece minerais como potássio, cloro, fósforo, cálcio, sódio, magnésio, ferro,cobre e zinco, além de vitaminas(A,B1,B2,B3,E),e é rico em antioxidantes e flavonóides,substâncias benéficas à saúde. O consumo de cerca de 30g diárias de chocolate amargo, por exemplo, como parte de uma alimentação saudável, pode trazer benefícios ao organismo.

O segredo é escolher as melhores opções disponíveis no mercado e adequá-lo em um plano alimentar equilibrado. Isto vale também para as pessoas com diabetes, que podem incluir o chocolate na sua rotina, incluindo as versões não diets.

TIPOS DE CHOCOLATE

Chocolate Amargo

Contém entre 51 e 75% de cacau, é o mais rico em antioxidantes porque tem mais massa de cacau e menos manteiga de cacau. Como o próprio nome diz, é amargo ao paladar, pois possui reduzido teor de açúcar.

Chocolate meio amargo

Contém entre 35 e 50% cacau, tem uma composição bem diversificada, conforme a marca do chocolate, o sabor amargo é suavizado pela presença do açúcar. No entanto, é uma opção muito boa para aqueles que não apreciam o sabor forte do amargo.

Chocolate ao leite

Contém de 10 a 25% de cacau, inclui cacau sólido, manteiga de cacau, mais de 12% de leite e açúcar. A massa de cacau é substituída em parte por leite em pó, resultando em um gosto mais adocicado.

Chocolate branco

Possui como componentes principais: leite, manteiga de cacau e açúcar. E, muitas vezes, a manteiga de cacau é quase totalmente substituída por gordura vegetal hidrogenada (a de pior qualidade biológica). Sendo assim,deve ser consumido com bastante moderação.

Chocolate Diet

Não contém adição de sacarose em sua composição. Porém, esse tipo de chocolate continua apresentando um açúcar naturalmente encontrado no cacau (frutose) e normalmente apresenta uma quantidade elevada de gordura (adicionada pela indústria para melhora do sabor).

REFERÊNCIAS

  • M. Richter, S. C. S. Lannes. Ingredientes usados na indústria de chocolates. Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences. vol. 43, n. 3, jul./set., 2007
  • Resolução CNNPA n°12, de 1978, disponível em http://www.anvisa.gov.br
  • Site da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados – http://www.abicab.org.br/

Artigo original em: http://www.diabetes.org.br/publico/pascoa-e-diabetes/1622-pascoa-chocolate-e-diabetes

Por Dra. Marlice Marques: 

  • Nutricionista Clinica
  • Mestre em Ciências da Saúde-UFG
  • Educadora em Diabetes ADJ/SBD/IDF
  • Membro do Departamento de Nutrição SBD Biênio 2018/19

Dia Internacional da Mulher – A mulher com diabetes

Lenita Zajdenverg, em nome de Departamento de Saúde da Mulher, Diabetes e Gestação

No Brasil, o diagnóstico de Diabetes é significativamente mais frequente no sexo feminino.

O ultimo censo brasileiro, feito através de inquérito telefônico em 2016 (VIGITEL), revelou que houve um incremento de 61.8% do número de pessoas com diabetes nos últimos 10 anos No mundo, existem mais de 199 milhões de mulheres que vivem com a doença. Há estimativa que este total aumente para 313 milhões até 2040. O diabetes é o causador direto de 2,1 milhões de mortes por ano na população feminina mundial.

Portanto, é prioritário direcionar cuidados de saúde especificamente para a mulher com diabetes.

Em 2017, a Federação Internacional de Diabetes (IDF), reconhecendo a alta prevalência de diabetes na população feminina, estabeleceu o foco da sua campanha mundial com o lema: Mulheres e diabetes – nosso direito a um futuro saudável: Agir hoje para modificar o amanhã.

Segundo a IDF, é necessário implementar medidas para garantir e melhorar a qualidade de vida e saúde da mulher com diabetes e recomenda que:

  • Os sistemas de saúde devem prestar atenção adequada às necessidades e prioridades específicas das mulheres com Diabetes.
  • Todas as mulheres com Diabetes; devem ter acesso aos medicamentos e tecnologias essenciais para seu tratamento, educação para o autocuidado e informações sobre como alcançar resultados positivos com seu tratamento.
  • Todas as mulheres com Diabetes;devem ter acesso a serviços de planejamento pré-concepção para reduzir os riscos durante a gravidez.
  • Todas as mulheres e meninas com Diabetes; devem ter acesso a realização de atividades físicas para melhorar seus resultados de saúde.

PARTICULARIDADES DA MULHER COM DIABETES

Além da maior prevalência de Diabetes; na população feminina brasileira, existem diversas particularidades que diferenciam a evolução e os riscos do diagnóstico de Diabetes; na mulher, em comparação com a população masculina.

Mulheres com doença cardiovascular têm menor sobrevida e pior qualidade de vida que os homens. Mulheres correm maior risco de cegueira, devido ao Diabetes; do que homens. Alguns estudos mostram que a doença renal diabética afeta as mulheres mais fortemente do que os homens. Há, também dados, que apontam maior frequência de neuropatia periférica dolorosa entre as mulheres com Diabetes.

DIABETES E GRAVIDEZ

Duas em cada cinco mulheres com Diabetes; estão em idade reprodutiva, respondendo por mais de 60 milhões de mulheres em todo o mundo.

Na gravidez, pode surgir quadro de alteração da glicose mesmo em mulheres que não tinham Diabetes anteriormente e assim, deve ser investigado o diagnóstico de Diabetes Gestacional (DMG). Estima-se que um em cada sete nascimentos no mundo é afetado pelo DMG. A IDF estima que 20,9 milhões, ou 16,2% das mulheres que deram à luz em 2015, apresentaram alguma forma de hiperglicemia na gravidez. A grande maioria dos casos de hiperglicemia na gravidez ocorreu em países de baixa e média renda, onde o acesso a cuidados maternos é freqüentemente limitado. A hiperglicemia pode resultar em diversas complicações durante a gravidez e o parto, que podem ser evitadas com tratamento adequado. O DMG pode acometer qualquer gestante e não apresenta sintomas na maioria das vezes. Por isso, é importante, que toda mulher, ao engravidar, tenha acesso aos cuidados pré-natais adequados e que realize rastreamento de DMG a partir da segunda metade da gravidez.

Aproximadamente metade das mulheres com história de DMG continua a desenvolver Diabetes tipo 2 (DM2) dentro de cinco a dez anos após o parto. Mudanças de hábitos alimentares e a prática de atividade física regularmente são capazes de evitar o desenvolvimento de diabetes permanente.

A gravidez em mulheres com diagnóstico prévio de Diabetes pode se associar a diversas complicações tanto maternas como fetais. Estas complicações estão diretamente ligadas ao controle glicêmico materno ainda fases muito precoces da gestação. Portanto, é muito importante que a mulher com Diabetes planeje a gravidez atingindo bom controle da glicemia e tenha acesso ao planejamento familiar. Mas, infelizmente, no mundo inteiro, a maioria das mulheres com Diabetes iniciam sua gravidez sem nenhum preparo pré concepcional.

DIABETES E CONTRACEPÇÃO

A orientação quanto aos métodos contraceptivos é muito importante, tanto para evitar uma gravidez não planejada, como para prevenção de complicações graves para a mãe e seu bebê.

Diversos métodos contraceptivos estão disponíveis atualmente e a escolha deve ser feita baseada na conveniência e adaptação da mulher e/ou do casal. Nenhum método é contraindicado apenas pelo Diabetes preexistente. Os contraceptivos orais nas formulações atuais também não são contra indicados para a maioria das mulheres com Diabetes, e recomenda-se serem evitados apenas por aquelas em que o médico avalia terem maior risco de complicações, como o tromboembolismo.

ALERTAS: FATORES SOCIOECONOMICOS

  • Não apenas fatores biológicos, mas aspectos comportamentais, culturais e sociais interagem e afetam a saúde das mulheres, particularmente aquelas com diabetes ou outras doenças crônicas;
  • Independente do nível socioeconômico, mulheres tem em média menor renda que os homens;
  • O estilo de vida moderno, com maior inserção feminina no mercado de trabalho e o ainda grande comprometimento com atividades domésticas e cuidados com os filhos, dificultam a adesão a um comportamento de vida mais saudável e o acesso ao tratamento adequado;
  • Mulheres têm participação importante não apenas em cuidar de sua própria saúde, mas atuam diretamente na saúde de toda a sua família. Pesquisas mostram que, quando as mães recebem melhores salários ou têm maior controle sobre os recursos familiares, priorizam a alimentação das suas famílias, especialmente a nutrição infantil e a educação.

Artigo original: http://www.diabetes.org.br/publico/ultimas/1615-dia-internacional-da-mulher-a-mulher-com-diabetes