Obesidade: Um gatilho a mais para a Covid-19

Diversas pesquisas no mundo todo estão investigando a relação entre obesidade e os riscos da Covid-19. Neste texto apresentamos algumas razões pelas quais ambos estão associados.

Espalham-se pesquisas que destacam o risco da obesidade no enfrentamento da Covid-19. Segundo especialistas, a obesidade é um dos fatores mais críticos para o agravamento da doença. Para compreender a dimensão do problema é só observar alguns dados: indivíduos com IMC acima do normal possuem uma probabilidade 90% maior de falecer da doença. Além disso, o Ministério da Saúde classifica a obesidade ao lado de doenças cardíacas, diabetes e idade avançada como fatores de risco para o coronavírus.

Ao analisarmos a população brasileira percebemos a dimensão do problema. Mais de 50% dos brasileiros estão obesos, o equivalente a 41 milhões de pessoas. Outro dado alarmante é em relação às crianças, 1 em cada 3 são obesas no país. O problema vem crescendo ao longo dos anos. Entre 2006 e 2018 houve um aumento de quase 70% no número de obesos no Brasil. A questão torna-se um problema maior que a desnutrição.

Por que a obesidade é um risco a mais para pessoas com o coronavírus?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que pessoas com diabetes e hipertensão apresentam quadros mais graves da doença, ou seja, que a infecção se desenvolve muito rapidamente e provoca complicações respiratórias sérias. O fato é que a obesidade está fortemente relacionada à estas doenças crônicas, por isso a preocupação.

As complicações são muitas, principalmente em relação à pressão e glicemia elevadas, comum entre os indivíduos com excesso de peso. Mesmo para as pessoas acima do peso, que não possuem problemas de pressão e glicemia, o excesso de gordura acaba colocando o organismo em vulnerabilidade. Acontece que a obesidade agrava os quadros de inflamação e formação de coágulos. Estes dois fatores são críticos para o agravamento da infecção causada pelo vírus Sars-CoV-2, o Covid-19. Esta inflamação causada pelo excesso de gordura sobrecarrega o organismo e a resposta imunológica acaba sendo não tão efetiva.

Não é só em relação ao Covid-19 que a obesidade é prejudicial. Sujeitos com gripe e hepatite, por exemplo, possuem maior dificuldade de combater suas infecções devido as alterações metabólicas causadas pelo excesso de peso – resistência à insulina e inflamação.

Outro fator problemático para as pessoas com coronavírus e obesas é um problema relacionado à um componente mecânico. Em decorrência da obesidade, a capacidade respiratória acaba comprometida. A gordura acumulada na barriga pode comprimir o diafragma e os pulmões, reduzindo o fluxo de ar e o transporte de oxigênio. Como o coronavírus pode afetar os pulmões, este acaba sendo mais um agravante.

O processo de intubação, em caso de insuficiência respiratória, pode ser mais complicado, já que a pessoa obesa possui uma caixa torácica mais pesada. Além disso, a estrutura hospitalar necessária para uma pessoa com excesso de peso, como número de profissionais para realizar certos procedimentos, muitas vezes é maior.

Principais problemas da obesidade no combate ao coronavírus:

  • Inflamação – A resistência à insulina e inflamação dificultam o combate a algumas infecções.
  • Capacidade respiratória – Os quilos extras comprometem a capacidade respiratória.
  • Estrutura hospitalar – Equipes maiores são necessárias para realizar certos procedimentos nos pacientes obesos, como movimentá-los no leito, por exemplo.
  • Intubação – Devido a caixa torácica mais pesada, a instalação do aparelho para intubação pode exigir mais esforço.

Pesquisas comprovam a perigosa ligação entre obesidade e Covid-19

 Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sugere que o coronavírus se reproduziria mais nos tecidos gordurosos. Estas células, além de abrigarem uma carga viral maior, transmitem o vírus por um período maior, superior às duas semanas comumente divulgadas.

Outro estudo desenvolvido pela Kaiser Permanente, uma organização sem fins lucrativos, publicada na revista científica Annals of Internal Medicine, associa a obesidade ao risco de morte por coronavírus. Os resultados do estudo indicam que é três vezes maior o risco para obesos se comparados aos pacientes com peso normal. Este número aumenta para quatro vezes à medida que a obesidade se torna ainda mais severa. Outro dado interessante refere-se ao gênero dos pacientes com Covid-19 acima do peso. Homens obesos apresentaram risco alto de morte, enquanto as mulheres obesas não tiveram o risco aumentado.

Mais dados foram publicados no periódico científico Obesity Reviews. O estudo analisou quase 400 mil pacientes e constatou que os obesos infectados pelo Covid-19 possuem: duas vezes mais chances de necessitarem de atendimento médico; quase 75% mais chances de serem internados em UTIs; e risco de morte 48% maior do que os pacientes não obesos.

Novamente os cientistas atribuem esta relação ao fato de as pessoas acima do peso frequentemente desenvolverem doenças cardíacas, pulmonares e metabólicas, além de inflamações crônicas. Estas complicações normalmente agravam o quadro dos pacientes infectados pelo coronavírus.

Como perder peso e melhorar a minha saúde em um ano de pandemia?

 A obesidade deve ser encarada como uma doença, jamais com preconceito. O importante é adquirir hábitos saudáveis que proporcionem qualidade de vida e saúde para o corpo. A receita para isto é conhecida pela maioria das pessoas e inclui principalmente uma reeducação alimentar e atividades físicas diárias.

Entretanto, em 2020, um ano atípico de pandemia, em que a ansiedade já toma conta por diversos motivos, colocar mais pressão sobre si mesmo para a perda de peso não é o ideal.

Se você possui problemas de obesidade busque um médico para obter as orientações adequadas. Um acompanhamento nutricional é fundamental e, muitas vezes, uma ajuda psicológica também pode ser necessária.

Crie um plano de ação e uma rotina para a construção de um novo estilo de vida. Um passo de cada vez com foco na saúde e bem-estar.

Conseguiu mudar de hábito durante este ano e melhorar a sua saúde? Conte nos comentários a sua história e compartilhe conosco a sua conquista.

 

estresse e ansiedade

Estresse e ansiedade: Um prato cheio que leva à obesidade

Hormônios, falta de ânimo e cansaço são algumas das razões que fazem com que o estresse e a ansiedade levem ao aumento de peso. Confira como isto acontece no nosso organismo e aprenda a identificar os sinais.

A ansiedade e o estresse podem levar ao ganho de peso? A resposta é: depende. A relação é um tanto quanto complexa, porque cada indivíduo reage diferentemente às situações de estresse e ansiedade. Por exemplo, existem pessoas que perdem o apetite e ficam extremamente inquietas e agitadas. Neste caso, a ansiedade pode ser um fator, inclusive, para o emagrecimento. Porém, na grande maioria das pessoas os sinais são de ganho de peso, principalmente porque a ansiedade provoca alterações na produção de alguns hormônios e pode acarretar compulsão alimentar, falta de motivação para prática de exercícios físicos, além de fadiga e cansaço.

A defesa que engorda

O corpo humano é uma máquina perfeita e inteligente. Como no tempo das cavernas, quando havia ameaça de ataque e de risco de vida, nosso corpo utiliza as mesmas respostas primitivas até hoje. Veja como funciona neste caso: A tensão causada pelo estresse e ansiedade libera cortisol, hormônio responsável pelo metabolismo. Ao elevar os seus níveis (através do estresse), o organismo entende que está sob ameaça ou ataque e que para isso necessita de mais energia para sua defesa. Assim, busca na comida (principalmente nos carboidratos, pois oferecem rápida resposta de energia) recurso para defesa deste “ataque”. Outro fator importante é que a alteração do cortisol afeta ainda a produção de testosterona e sua diminuição faz com que haja redução de massa muscular.

Vale lembrar que não é só o cortisol que acaba alterado com o estresse e ansiedade. Eles causam também a redução dos níveis de serotonina do cérebro e isso pode aumentar o apetite e levar ao aumento de peso. Alterações na insulina podem acarretar acúmulo de gordura abdominal,

Eu como muito e ainda quero repetição

Um sintoma recorrente é a compulsão alimentar causada pelo estresse e ansiedade. Isto tem uma explicação: os alimentos liberam endorfina no organismo, que ajuda no humor, e por isso, frequentemente, torna-se um recurso adotado por muitas pessoas que se encontram nesta situação. Lembrando que cada indivíduo reage diferentemente ao estresse e ansiedade. Alguns, como dito anteriormente, acabam perdendo o apetite. Por isto, a equação não é tão simples de resolver e a presença de um profissional torna-se necessária.

Tenho fome e preguiça também

O estresse e a ansiedade podem ser um estado muito desgastante para a pessoa, que acaba ficando sem energia para fazer qualquer atividade física. Sono e indisposição acabam resultando em sedentarismo, consequentemente há menos gasto calórico e com isso o aumento de peso.

Além disso, é preciso destacar que a atividade física é muito importante para a saúde do corpo e da mente. A prática de exercícios regulares proporcionam, além de um melhor condicionamento físico, sensação de bem-estar. Por isso, quanto menos atividades físicas você realizar, mais indisposto e desanimado se sentirá.

Os opostos se atraem: Quando o peso aumenta a ansiedade

É isso mesmo! O contrário também pode acontecer. Ao engordar a pessoa pode passar a ter dificuldades de respirar e diminuir a qualidade do seu sono, gerando momentos de estresse e ansiedade. Além disso, o acúmulo de gordura corporal acaba sendo motivo de baixa autoestima, levando a momentos de ansiedade mais recorrentes.

O que a ciência diz

Os cientistas garantem que o estresse é o grande responsável pelo aumento expressivo de casos de obesidade no mundo todo. A razão pela qual isso acontece foi explicada por um estudo americano da Universidade de Stanford, na Califórnia. Após alguns estudos, os pesquisadores encontraram evidências que o aumento de um tipo de hormônio no período noturno ou o estresse crônico e contínuo fazem com que mais células de gordura sejam produzidas pelo corpo e com isso o aumento de peso ocorra.

É importante compreender que o estresse é caracterizado por qualquer situação que altere o estado de tranquilidade de uma pessoa. Assim, diversas situações cotidianas podem ser desencadeadoras deste sentimento. Trânsito, trabalho, uso excessivo de aparelhos eletrônicos são alguns dos exemplos.

Já a ansiedade se caracteriza como uma doença psiquiátrica que gera inquietação e agitação excessivas. A saúde do corpo e da mente é prejudicada à medida que o estado de tensão aumenta, bem como à medida que esta tensão se estende por longos períodos, ficando fora de controle.

O que fazer com essa tal ansiedade?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo. São mais de 18,6 milhões de brasileiros, o que significa que 9,3% da população sofre deste problema.

Neste texto apresentamos algumas pistas sobre a relação entre ansiedade, estresse e aumento de gordura corporal. Agora que você já sabe que uma pode desencadear a outra, é importante que você observe seu comportamento em relação à comida. Perceba se há uma mudança na quantidade e frequência de ingestão de alimento diária. Além disso, analise a qualidade das suas refeições. Você tem consumido muitas comidas calóricas, ricas em açúcares e farinha refinada? Opte por alternativas mais saudáveis.

Em momentos de ansiedade, faça escolhas mais nutritivas, como frutas e verduras, e abuse do consumo de água. Lembre-se que a ansiedade pode te enganar e fazer você comer mais. Ou seja, não é fome, é cilada!

A prática de exercícios físicos tem papel fundamental para controlar o estresse e a ansiedade pela sensação de bem-estar que proporciona. Combine exercícios de força e aeróbicos, pois estimulará ainda mais o seu metabolismo.

Por último, mas não menos importante, busque ajuda profissional. Uma consulta com um médico endocrinologista lhe ajudará a entender o que está acontecendo com o seu corpo e assim você poderá buscar as melhores estratégias para a sua alimentação e para adoção de atividade física.