Diabetes e demência

Existe alguma relação?

Sabe-se que diversas comorbidades estão associadas ao diabetes. Porém, algo que ainda vem sendo estudado é a relação do diabetes com a demência. Neste texto, separamos algumas das evidências científicas que associam estas duas doenças.

Pesquisas recentes indicam que o diabetes estaria associado a algumas disfunções cognitivas e à demência. A causa exata pelo qual o diabetes causaria demência e outras complicações cognitivas ainda não está totalmente clara. Mas já se sabe que a hipoglicemia (baixa concentração de glicose no sangue) desempenha um fator determinante no desenvolvimento da demência.

Para compreendermos a relação entre diabetes e demência é preciso esclarecer, primeiramente, o que é o diabetes.

Diabetes é uma doença crônica que está relacionada à dificuldade de produzir ou empregar adequadamente um hormônio muito importante para o organismo: a insulina. A insulina é responsável por controlar a quantidade de glicose no sangue.

Mas calma, agora que já sabemos o que é o diabetes precisamos entender outros dois pontos principais antes de relacionar diabetes e demência. Afinal, qual a importância da glicose e da insulina?

O que a glicose e a insulina fazem no organismo?

A insulina utiliza a glicose como fonte de energia obtida através dos alimentos. Quando o organismo não consegue fabricar insulina, consequentemente, prejudica o nível de glicose no sangue. Duas principais disfunções podem ocorrer a partir disso: a hipoglicemia (baixo nível de glicose no sangue) e a hiperglicemia (alto nível de glicose no sangue).

O alto nível de glicose é conhecido como hiperglicemia e pode causar danos nos nervos, inclusive gerando complicações cognitivas. É importante destacar também que o risco de demência aumenta significativamente com o aumento dos episódios de hipoglicemia (baixo nível de glicose no sangue).

Ou seja, ambas disfunções podem causar complicações cognitivas.

Como afirmamos anteriormente, ainda há muitas dúvidas e pesquisas em andamento para explicar a relação entre diabetes e demência. Entretanto, uma das hipóteses é que a resistência à ação da insulina no tecido cerebral (também conhecida como resistência insulínica celular) pode levar à vários problemas. As consequências envolvem alterações neuropatológicas e neurodegenerativas, além de dificuldade para regular os nutrientes e disfunções cognitivas.

Além disso, outro dado que chama a atenção é que pacientes com diabetes e demência possuem taxa de mortalidade duas vezes maior do que aqueles diagnosticados apenas com demência.

Mas vamos entender um pouco melhor sobre estas disfunções cognitivas. Afinal, qual a definição de demência e quais os tipos que estão mais relacionados ao diabetes?

O que é demência?

Entre as definições de demência, ou como vem sendo chamada transtorno neurocognitivo maior, podemos destacar aquela que caracteriza demência como o comprometimento das funções cognitivas. Este comprometimento das funções cognitivas pode ser múltiplo envolvendo perda de memória, dificuldade em relação à linguagem, atenção e prejuízo das atividades funcionais e sociais. 

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) caracteriza a demência como “evidências de declínio cognitivo importante a partir de nível anterior de desempenho em um ou mais domínios cognitivos (atenção complexa, função executiva, aprendizagem e memória, linguagem, perceptomotor ou cognição social)”.

Quais os tipos de demência mais comuns relacionados ao diabetes?

Entre os problemas cognitivos mais comuns que podem estar associados ao diabetes, destacaremos a demência vascular, Alzheimer e Parkinson.

Confira uma breve explicação para cada um deles.

Demência Vascular

A demência vascular possui duas causas principais: doença cerebrovascular; ou quando o fluxo de sangue para o cérebro está comprometido. Ela pode ocorrer tanto após um AVC (acidente vascular cerebral), quanto devido alguma lesão nos vasos sanguíneos do cérebro.

Alguns fatores (além do diabetes) aumentam o risco de se desenvolver demência vascular, entre eles: idade, pressão alta (hipertensão), colesterol, falta de atividade física, fumantes, doença arterial, entre outros.

Diabetes e Alzheimer

Muitos conhecem os efeitos da doença de Alzheimer, seja pelo relato de um familiar ou de amigos e conhecidos. O Alzheimer é uma doença progressiva neurodegenerativa e que causa perda de memória e prejuízo de funções cognitivas.

O Alzheimer acontece pelo acúmulo no cérebro de uma proteína denominada β-amiloide e de emaranhados neurofibrilares. Mais especificamente, a resistência à insulina no cérebro gera uma inflamação, por sua vez, essa inflamação libera substâncias que provocam o acúmulo de proteína beta-amilóide.

Pesquisas indicam que pacientes com diabetes tipo 2 têm apresentado alguns sintomas que se relacionam ao Alzheimer como: déficits cognitivos, especialmente em atenção, processamento de informação, memória, alterações do humor, depressão, atrofia cerebral, entre outros.

A doença de Alzheimer e a demência vascular correspondem à maioria das causas de demência. Outro dado importante é que o risco de Doença de Alzheimer aumenta 50% em pessoas com diabetes.

Diabetes e Doença de Parkinson

A doença de Parkinson é mais conhecida pelas alterações motoras que causa nos pacientes. Porém, entre suas consequências está a perda cognitiva e até mesmo a demência.

A doença de Parkinson é a segunda maior causa de doença neurodegenerativa. Sua relação com o diabetes pode ser explicada em números. Relatos sugerem que 50 a 80% de pacientes com Doença de Parkinson têm alteração na glicemia (quantidade de glicose no sangue).

Por definição, a Doença de Parkinson provoca uma degeneração progressiva dos neurônios relacionados ao domínio dos movimentos do corpo. A destruição das células nervosas acontece em diversas partes do cérebro e causa, principalmente, rigidez muscular e tremores involuntários.

Principais associações entre Diabetes e Demência

Resumidamente separamos algumas explicações que relacionam o diabetes à demência.

  • Diabetes pode causar complicações em vasos sanguíneos, inclusive em vasos sanguíneos do cérebro. Complicações microvasculares podem aumentar o risco de demência vascular;
  • Resistência à ação da insulina no tecido cerebral e consequente disfunção das placas amilóides (principal responsável pela doença de Alzheimer);
  • Níveis alterados de hemoglobina glicada que podem prejudicar a cognição;
  • Disfunção de mitocôndrias (fundamentais no funcionamento das células), que podem prejudicar os neurônios e suas sinapses.

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Novembro Azul, seja herói da sua saúde

Na semana passada um novo meme tomou conta da internet no Brasil: caneta azul, azul caneta… Por coincidência ou não, iniciou o mês de novembro, o mês azul!

O Novembro Azul é uma campanha mundial que conscientiza sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata. A doença é a segunda mais comum entre os homens brasileiros, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer. Além do câncer de próstata o Novembro Azul também busca conscientizar sobre o Diabetes e aos problemas associados à doença: alta mortalidade por doenças cardiovasculares (infartos e insuficiência cardíaca), AVC (derrame), complicações específicas da doença, como insuficiência renal, perda da visão, alteração de sensibilidade nos membros inferiores e consequentes úlceras e amputações. Sobre o Diabetes & Novembro azul voltaremos a abordar aqui no blog, acompanhe!

O estresse, o trabalho e as obrigações do dia a dia são gatilhos para inúmeras doenças. Esses itens não devem servir como desculpa para não procurar ajuda especializada. Faça um planejamento, se organize, e procure um especialista, só assim será possível  obter um diagnóstico preciso e intervir com um tratamento em tempo hábil.  Somente um médico é capaz de detectar as possíveis causas do que está acontecendo no seu corpo. 

No que diz respeito ao Câncer de Próstata, a cada dia 42 homens morrem em decorrência deste câncer e aproximadamente 3 milhões vivem com a doença, sendo essa, a segunda maior causa de morte por câncer em homens no Brasil. São estimados para este ano 68.220 novos casos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). 

 “Queremos alertar não só para a saúde da próstata, como também incentivar o homem a olhar mais para a sua saúde, fazer exames que podem prevenir uma série de outras doenças. As mulheres culturalmente têm esse cuidado, mas os homens só vão ao médico quando não se sentem bem. Ter a consciência de que é preciso também fazer um check-up é fundamental”, enfatiza  Dr. Geraldo Faria, Coordenador do Novembro Azul da SBU – Sociedade Brasileira de Urologia.

Uma pesquisa realizada pela revista Saúde e o Instituto Lado a Lado pela Vida em agosto, com 2.405 homens, mostrou que 59% deles não costumam ir ao urologista. Entre os homens acima de 50 anos atendidos pela rede privada ou planos de saúde, 89% disseram já ter feito o PSA e 65% o exame de toque. Entre os atendidos pelo SUS, 45% nunca foram submetidos ao toque retal e 16% não fizeram o exame de PSA.

90% dos casos de câncer de próstata tem cura, quando em estágio inicial, e justamente neste período, não há sintomas. Os principais sintomas na fase avançada são:

• Dor óssea

• Dores ao urinar

• Vontade de urinar com frequência

• Presença de sangue na urina e/ou no sêmen

A ausência de sintomas não garante que não há problemas. Por isso, converse com seu urologista e cuide da sua saúde!

Veja os fatores de risco:

  • Histórico na família (pai, irmãos e tios)
  • Raça: homens negros sofrem maior incidência deste tipo de câncer 
  • Obesidade

Mesmo na ausência de sintomas, homens a partir dos 45 anos com fatores de risco, ou 50 anos sem estes fatores, devem ir ao urologista para conversar sobre o exame de toque retal, que permite ao médico avaliar alterações da glândula, como endurecimento e presença de nódulos suspeitos, e sobre o exame de sangue PSA (antígeno prostático específico). Cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados somente pela alteração no toque retal.

Seja herói da sua saúde! Cuide-se e proteja-se!