Páscoa, Chocolate e o Diabetes

Com a Páscoa se aproximando não tem como não lembrar dos ovos de chocolate.

O Brasil é o segundo no ranking mundial dos produtores de ovos de chocolate, perdendo apenas para a Inglaterra.

O cacau chegou ao Brasil pelo estado do Pará, em 1746, trazido pelo francês Louis Frederic Warneaux.Na metade do século 19, o Brasil já era o maior exportador de cacau do mundo, chegando a mandar para o exterior, em 1880, mais de 70 mil toneladas. Com a produção do cacau em alta, começaram a surgir, no fim do século 19 e início do século 20 as indústrias de chocolate no país.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (ABICAB), anualmente, cada brasileiro come, em média, 2,5 kg de chocolate.

O cacau, substância da qual se produz o chocolate é naturalmente amargo, sendo por isso, confeccionado adicionando-lhe açúcar e outros ingredientes tal como leite e frutos secos. A composição precisa do chocolate varia em todo o mundo devido à diferença de gostos e legislação, que se preocupa com as porcentagens de cacau e sólidos do leite adicionais, quantidade e tipos de gorduras vegetais permitidas.

De acordo com a definição publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), chocolate é o produto preparado com cacau obtido por processo tecnológico adequado e açúcar, podendo conter outras substâncias alimentícias aprovadas.

É um alimento de amplo consumo mundial conhecido por seu alto valor energético e, por isso é frequentemente banido do consumo dietético regular de algumas pessoas. Mas, além das calorias o chocolate fornece minerais como potássio, cloro, fósforo, cálcio, sódio, magnésio, ferro,cobre e zinco, além de vitaminas(A,B1,B2,B3,E),e é rico em antioxidantes e flavonóides,substâncias benéficas à saúde. O consumo de cerca de 30g diárias de chocolate amargo, por exemplo, como parte de uma alimentação saudável, pode trazer benefícios ao organismo.

O segredo é escolher as melhores opções disponíveis no mercado e adequá-lo em um plano alimentar equilibrado. Isto vale também para as pessoas com diabetes, que podem incluir o chocolate na sua rotina, incluindo as versões não diets.

TIPOS DE CHOCOLATE

Chocolate Amargo

Contém entre 51 e 75% de cacau, é o mais rico em antioxidantes porque tem mais massa de cacau e menos manteiga de cacau. Como o próprio nome diz, é amargo ao paladar, pois possui reduzido teor de açúcar.

Chocolate meio amargo

Contém entre 35 e 50% cacau, tem uma composição bem diversificada, conforme a marca do chocolate, o sabor amargo é suavizado pela presença do açúcar. No entanto, é uma opção muito boa para aqueles que não apreciam o sabor forte do amargo.

Chocolate ao leite

Contém de 10 a 25% de cacau, inclui cacau sólido, manteiga de cacau, mais de 12% de leite e açúcar. A massa de cacau é substituída em parte por leite em pó, resultando em um gosto mais adocicado.

Chocolate branco

Possui como componentes principais: leite, manteiga de cacau e açúcar. E, muitas vezes, a manteiga de cacau é quase totalmente substituída por gordura vegetal hidrogenada (a de pior qualidade biológica). Sendo assim,deve ser consumido com bastante moderação.

Chocolate Diet

Não contém adição de sacarose em sua composição. Porém, esse tipo de chocolate continua apresentando um açúcar naturalmente encontrado no cacau (frutose) e normalmente apresenta uma quantidade elevada de gordura (adicionada pela indústria para melhora do sabor).

REFERÊNCIAS

  • M. Richter, S. C. S. Lannes. Ingredientes usados na indústria de chocolates. Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences. vol. 43, n. 3, jul./set., 2007
  • Resolução CNNPA n°12, de 1978, disponível em http://www.anvisa.gov.br
  • Site da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados – http://www.abicab.org.br/

Artigo original em: http://www.diabetes.org.br/publico/pascoa-e-diabetes/1622-pascoa-chocolate-e-diabetes

Por Dra. Marlice Marques: 

  • Nutricionista Clinica
  • Mestre em Ciências da Saúde-UFG
  • Educadora em Diabetes ADJ/SBD/IDF
  • Membro do Departamento de Nutrição SBD Biênio 2018/19

Dia Internacional da Mulher – A mulher com diabetes

Lenita Zajdenverg, em nome de Departamento de Saúde da Mulher, Diabetes e Gestação

No Brasil, o diagnóstico de Diabetes é significativamente mais frequente no sexo feminino.

O ultimo censo brasileiro, feito através de inquérito telefônico em 2016 (VIGITEL), revelou que houve um incremento de 61.8% do número de pessoas com diabetes nos últimos 10 anos No mundo, existem mais de 199 milhões de mulheres que vivem com a doença. Há estimativa que este total aumente para 313 milhões até 2040. O diabetes é o causador direto de 2,1 milhões de mortes por ano na população feminina mundial.

Portanto, é prioritário direcionar cuidados de saúde especificamente para a mulher com diabetes.

Em 2017, a Federação Internacional de Diabetes (IDF), reconhecendo a alta prevalência de diabetes na população feminina, estabeleceu o foco da sua campanha mundial com o lema: Mulheres e diabetes – nosso direito a um futuro saudável: Agir hoje para modificar o amanhã.

Segundo a IDF, é necessário implementar medidas para garantir e melhorar a qualidade de vida e saúde da mulher com diabetes e recomenda que:

  • Os sistemas de saúde devem prestar atenção adequada às necessidades e prioridades específicas das mulheres com Diabetes.
  • Todas as mulheres com Diabetes; devem ter acesso aos medicamentos e tecnologias essenciais para seu tratamento, educação para o autocuidado e informações sobre como alcançar resultados positivos com seu tratamento.
  • Todas as mulheres com Diabetes;devem ter acesso a serviços de planejamento pré-concepção para reduzir os riscos durante a gravidez.
  • Todas as mulheres e meninas com Diabetes; devem ter acesso a realização de atividades físicas para melhorar seus resultados de saúde.

PARTICULARIDADES DA MULHER COM DIABETES

Além da maior prevalência de Diabetes; na população feminina brasileira, existem diversas particularidades que diferenciam a evolução e os riscos do diagnóstico de Diabetes; na mulher, em comparação com a população masculina.

Mulheres com doença cardiovascular têm menor sobrevida e pior qualidade de vida que os homens. Mulheres correm maior risco de cegueira, devido ao Diabetes; do que homens. Alguns estudos mostram que a doença renal diabética afeta as mulheres mais fortemente do que os homens. Há, também dados, que apontam maior frequência de neuropatia periférica dolorosa entre as mulheres com Diabetes.

DIABETES E GRAVIDEZ

Duas em cada cinco mulheres com Diabetes; estão em idade reprodutiva, respondendo por mais de 60 milhões de mulheres em todo o mundo.

Na gravidez, pode surgir quadro de alteração da glicose mesmo em mulheres que não tinham Diabetes anteriormente e assim, deve ser investigado o diagnóstico de Diabetes Gestacional (DMG). Estima-se que um em cada sete nascimentos no mundo é afetado pelo DMG. A IDF estima que 20,9 milhões, ou 16,2% das mulheres que deram à luz em 2015, apresentaram alguma forma de hiperglicemia na gravidez. A grande maioria dos casos de hiperglicemia na gravidez ocorreu em países de baixa e média renda, onde o acesso a cuidados maternos é freqüentemente limitado. A hiperglicemia pode resultar em diversas complicações durante a gravidez e o parto, que podem ser evitadas com tratamento adequado. O DMG pode acometer qualquer gestante e não apresenta sintomas na maioria das vezes. Por isso, é importante, que toda mulher, ao engravidar, tenha acesso aos cuidados pré-natais adequados e que realize rastreamento de DMG a partir da segunda metade da gravidez.

Aproximadamente metade das mulheres com história de DMG continua a desenvolver Diabetes tipo 2 (DM2) dentro de cinco a dez anos após o parto. Mudanças de hábitos alimentares e a prática de atividade física regularmente são capazes de evitar o desenvolvimento de diabetes permanente.

A gravidez em mulheres com diagnóstico prévio de Diabetes pode se associar a diversas complicações tanto maternas como fetais. Estas complicações estão diretamente ligadas ao controle glicêmico materno ainda fases muito precoces da gestação. Portanto, é muito importante que a mulher com Diabetes planeje a gravidez atingindo bom controle da glicemia e tenha acesso ao planejamento familiar. Mas, infelizmente, no mundo inteiro, a maioria das mulheres com Diabetes iniciam sua gravidez sem nenhum preparo pré concepcional.

DIABETES E CONTRACEPÇÃO

A orientação quanto aos métodos contraceptivos é muito importante, tanto para evitar uma gravidez não planejada, como para prevenção de complicações graves para a mãe e seu bebê.

Diversos métodos contraceptivos estão disponíveis atualmente e a escolha deve ser feita baseada na conveniência e adaptação da mulher e/ou do casal. Nenhum método é contraindicado apenas pelo Diabetes preexistente. Os contraceptivos orais nas formulações atuais também não são contra indicados para a maioria das mulheres com Diabetes, e recomenda-se serem evitados apenas por aquelas em que o médico avalia terem maior risco de complicações, como o tromboembolismo.

ALERTAS: FATORES SOCIOECONOMICOS

  • Não apenas fatores biológicos, mas aspectos comportamentais, culturais e sociais interagem e afetam a saúde das mulheres, particularmente aquelas com diabetes ou outras doenças crônicas;
  • Independente do nível socioeconômico, mulheres tem em média menor renda que os homens;
  • O estilo de vida moderno, com maior inserção feminina no mercado de trabalho e o ainda grande comprometimento com atividades domésticas e cuidados com os filhos, dificultam a adesão a um comportamento de vida mais saudável e o acesso ao tratamento adequado;
  • Mulheres têm participação importante não apenas em cuidar de sua própria saúde, mas atuam diretamente na saúde de toda a sua família. Pesquisas mostram que, quando as mães recebem melhores salários ou têm maior controle sobre os recursos familiares, priorizam a alimentação das suas famílias, especialmente a nutrição infantil e a educação.

Artigo original: http://www.diabetes.org.br/publico/ultimas/1615-dia-internacional-da-mulher-a-mulher-com-diabetes